17 setembro, 2015

EU, A PROFESSORA DE PORTUGUÊS

Dói-me a cabeça. Dói-me o coração. Tenho a sensação que não vou conseguir dar conta do recado. E não gosto nada desta sensação. Porque quando estou num trabalho, gosto de o fazer bem.
Ser professora não é fácil. e pelo 1º ano da minha vida, sou uma professora normal. Não sou estagiária, não sou substituta. Sou a professora de Português. Ponto. A meio do mês e já tenho testes para corrigir. Vou fazê-lo amanhã. Nem sei que cotação atribuir, quanto descontar dos erros ortográficos. Enfim. Logo verei. 
Para além disso, tenho uma aluna que quer passar o BAC (não me perguntem o que é, please) em Literatura Portuguesa. Pelos vistos exige muito esforço da minha parte para prepará-la. Eu nem sequer conheço direito o programa.... A professora que estava no meu lugar no ano passado não me atende o telefone.
Detesto as quartas porque dou aulas ao liceu - que inferno! Às vezes nem quero falar muito com medo de que os alunos saibam mais do que eu (é triste). As quintas à tarde matam-me porque 6º e 7º anos seguidos é o terror. Barulho de canetas, de folhas e de porta-lápis a cair é coisinha que não falta. Mascaro-me e sou uma professora má durante estas duas horas. Saio da escola com uma cabeça que eu nem sei.
Resta-me o 8º e 9º que é pacífico mas porque só tenho duas alunas em cada ano.

Ai querias ser professora? Toma lá que é para aprenderes.

E pronto. A minha esperança é um dia mais tarde vir aqui ler este texto e perceber que a única coisa que me faltava era experiência e entrar no ritmo escolar francês. De resto, a vida de um professor é fácil.


Uma pequena história na sala de aula. Hoje, que é quinta-feira, dei aulas ao 7º ano. Os trabalhos de casa era saber simplesmente apresentar-se, utilizando os verbos "chamar-se" e "ser". Por exemplo: Eu chamo-me Mónica e sou francesa. Uma miúda que ainda não percebeu as regras nas minhas aulas, fala sempre sem ser solicitada e diz-me: 
- madame, madame, eu fiz os trabalhos de casa e escrevi tudo no caderno. Passei a limpo e tudo. Fiz os trabalhos de casa com a minha mãe. Posso ler? Então, eu chamo-me I, sou francesa, mamãe turca, papai argélie.
- Ok, ok - interrompo-lhe eu. Eu só pedi com os verbos chamar-se e ser. O resto ainda não sabes. Essas frases não estão bem feitas.
- Mas madame, está bem? mamãe turca, papai argélie - repetia ela. E ria-se.
- Para já não é papai nem mamãe.
Diga-se de passagem que me deu uma vontade de rir do caraças. Ainda fiz um sorrisinho à AVS.
- Sim, é. Nós vimos um filme no ano passado que a outra professora nos pôs. E eles diziam mamãe e papai.
- Sim. Mas isso é português do Brasil. É mãe e pai.

Oh que sorte de rapariga lá com o mamãe e papai afranceleirado.

1 comentário:

  1. "Eu confio" é um texto sobre a importância de escolher um suplemento alimentar de confiança, de uma marca que aposta em estudos científicos para demonstrar a qualidade dos seus produtos. Visita o blogue para descobrires mais sobre a Pharma Nord e o BioActivo Q10.
    O Histórias de Ariadne é um blogue pessoal em que podes encontrar textos sobre assuntos farmacêuticos, histórias pessoais, dicas/truques/artigos para alcançar o sucesso (seja pessoal, bem-estar ou profissional), fotos das minhas gatas (yup, sou uma daquelas pessoas que ama gatos e é viciada em café). Dá uma espreitadela, pode ser que até gostes do que por lá partilho.

    Beijinhos
    Ariadne
    http://historiasdeariadne.blogspot.pt

    ResponderEliminar