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15 fevereiro, 2016

DIA DOS NAMORADOS

Mais um dia dos namorados que passou e mais um dia em que o piccolo se esmerou. Como o quiero tanto!
No dia anterior (sábado) não estive nada bem por causa da entrevista que tive na sexta no rectorat onde a senhora nem foi com a entrevista até ao fim (que nem vou detalhar). Então, se não estava bem, pus o piccolo também meio aborrecido. O que não gosto nada, porque aquilo que preciso nestes momentos é de ânimo.
Mas pronto.
No domingo, dia dos namorados, fomos ao mercado de Versailles comprar massa em forma de coração e manga para o almoço e lagosta e bolo de chocolate para o jantar. Muito lindo!

À tarde vimos um episódio de Breaking Bad (em italiano) e trocamos as prendinhas. Eu dei-lhe aquilo que lhe devia ter dado no início de dezembro: a pen dentro de um frasquinho. Ele deu-me um coração para a pandora. Não contive as lágrimas. Always in my heart dizia de um lado. 
E por ficar assim tão frágil, não quis ver o vídeo, que estava na pen, com ele.
Ele viu-o hoje e já me mandou mensagem. Não sei se gostou mesmo ou se ficou um pouco indiferente. Quando estiver com ele verei melhor a reação. 
À noite, noite de lingerie, claro.
Foi um dia normal. Mas pensando agora no dia, só posso pensar em como tenho um namorado que tanto gosto e que trata tão bem. E que sou tantas vezes injusta com ele (como quando me enervo com alguma coisa e descarrego nele sem dó).

Como o amo!

05 janeiro, 2016

PARIS, TRABALHO E PICCOLO

Primeiro texto do ano. E não começa bem.
Segundo dia de aulas. 
Fiquei na lista dos excluídos na candidatura para professores de português no estrangeiro. Há sempre alguma coisa que não está bem. Desta vez não enviei os diplomas de inglês e espanhol. E enganei-me numa opção em relação à minha situação profissional atual. Que mania de não perguntar e querer fazer sozinha. Sim, mas isto não é só culpa minha. O facto das pessoas serem cada vez mais por si, faz com que eu nem sequer ouse fazer perguntas, adivinhando logo a resposta. Tenho de começar a pensar que nem sempre é assim e ainda menos numa situação desta onde há pessoas postas à disposição precisamente para tirar dúvidas. 
Agora tenho de saber se o jardim de infância onde trabalho está interessado em me contratar para o próximo ano letivo. Melhor do que em part-time como professora de português.
Já chorei hoje. Saber isso da candidatura EPE, mais o facto do meu piccolo não estar cá esta semana e ainda mais por estar completamente sozinha nesta cidade. A colega de casa ainda só lhe disse praticamente bom dia de manhã e boa noite à noite desde sábado. Cada uma tem o seu quarto e não há cá que incomodar os outros.
Cheguei sábado e à parte o local de trabalho, praticamente não falei com ninguém por mais de dois minutos. E mesmo no trabalho é triste ter de falar só com os alunos que têm metade da minha idade. (no jardim de infância ainda me vou safando com alguns adultos, bah. É o que vale).
Ainda na semana passada estava a partir-me a rir e esta semana já pareço outra pessoa. Como uma cidade pode mudar as pessoas. Como é verdade dizer "Em Roma sê romano". E como é verdade ter mesmo de o ser para não fugir aos hábitos comuns da sociedade.


O A. esteve em minha casa na passagem de ano. Conheceu toda a família. Os primos falaram muito com ele mas o que valeu foi que algumas coisas eram em português. Têm uma conversa muito porca, estes meus primos. Ainda não sei se gostou ou se levou a mal certas coisas. Ainda mal falei com ele depois disso. No primeiro dia do ano arrependi-me logo de o ter apresentado à família. O rapaz às vezes é tão distante que eu não sei em que é que ele está a pensar e ele também não diz. Primeiro não é nada, depois inventa qualquer coisas para me calar. Mas aí ainda é pior porque se contradiz. Enfim! Às vezes tenho vontade de acabar com esta relação devido a estas situações que me deixam insegura. Mas depois penso no quão homem da minha vida ele é. Quero que ele venha rápido e quero que ele esteja sempre comigo. Sozinha é que eu não posso estar nesta cidade.

27 dezembro, 2015

NATAL EM CASA DO PICCOLO

Já há alguns dias que cheguei de Itália, por isso não sei se a precisão vai ser a mesma.
Cheguei a Roma na sexta à noite (18 de dezembro) e foram os pais dele que nos foram buscar ao aeroporto. Já tinha estado com eles. Não ia ser o primeiro encontro, mas estava um bocado "coisa". Não falo italiano e conheço a mãe dele: ela fala muito e está muito à vontade comigo. Por isso, isso punha-me mais sem jeito.
Encontramo-los e lá nos cumprimentamos. A mãe dele até me queria cumprimentar primeiro que ao filho. Mas deixei-o estar à minha frente para não o fazer. A mãe sempre sorridente e bem disposta. O pai com um sorriso simpático mas mais calmo (como da última vez). Entramos no carro e comemos pão com mortadela. Que saudades que eu tinha deste cheiro. Não falei muito na viagem. Acho que a vergonha começou a chegar. A viagem foi longa e ainda dormi um bocado. Que soneira!
Ainda no carro e já na vila dele (sem eu saber que já o era), a mãe faz a piada da praça da Concordia, do Arco de Triunfo, da Catedral Notre Dame e de Montmartre à medida que passávamos em certas partes da vila (numa praça, num arco de flores, numa igreja e no topo da vila). Ri-me, sem ter nada para dizer.
Chegamos a casa dele e os avós esperavam-nos. Conheci-os e cumprimentei-os. Muito simpáticos e faladores logo num primeiro contacto.

Sábado combinamos ir à praia. Gaeta. Saímos de casa já à hora de almoço. Passamos em Terracina para almoçarmos num restaurante perto da praia (praça da República) e todos os pratos foram de peixe. Estava bom mas aqueles peixes fritos deixaram-me a arrotar o dia todo. Claro que não disse isso ao meu pequeno, para ele não ficar triste..
Subimos ao monte mais alto desta cidade e tiramos fotos. Paisagem muito bonita com o sol a bater na água do mar... Seguimos para Gaeta. Paramos pelo caminho para tirarmos fotos com o pôr do sol. Em Gaeta íamos ver umas supostas escadas que descem numa falésia até ao mar mas não foi bem isto que encontramos. Realmente descemos as tais escadas mas que nos obrigavam a subir mais à frente. Conclusão: ficamos numa parte alta entre duas falésias a ver o mar. É bonito mas não víamos grande coisa, uma vez que as falésias eram muito altas e tapavam a vista toda. Mas tenho fotos =)
Voltamos para casa e à noite saímos até uns bares numa cidade perto de casa dele (Alatri). Conheci uns amigos dele e ainda me ri com eles. Um deles, segundo o piccolo, era bom para a Célia. Ele ficou interessado (mesmo sem a conhecer) e começou a fazer perguntas sobre ela. Pois, ela só fala português... Nada feito.
Outro, quando me conheceu e soube que eu era a namorada, disse: "Ah, finalmente que a conheço." Gostei de ouvir, claro. Toda contente, a rapariga. E perguntou ao A. se eu estava a ficar em casa dele. Ele disse-lhe que sim ao que o amigo responde: "Então a tua mãe deve estar toda contente!" Eu ainda fiquei mais contente =)
Entretanto passa um amigo dele e faz-lhe uma festa quando o vê. O A. apresenta-mo ao que ele diz "Namorada? Mas quê, é a última?" Desta é que eu não gostei. Ok, faz de conta que não percebes. Depois mandas a boca na melhor oportunidade. O piccolo continua a rir como se ele não tivesse dito nada de mais.
Mais tarde pede ao tal suposto futuro da Célia para lhe puxar o dedo (estava mal da barriga, o rapaz). Ele não percebe mas o A. explica-lhe. Todos se riem e o loiro, que se chama Matteo, pergunta/afirma: não fazes isso com a tua namorada?!
"Como non?" responde o meu pequeno. Que fofinho!
Fiquei contente por conhecer muitos amigos dele. Foram só quatro, mas para ser só numa noite e praticamente sem combinar com ninguém, são muitos.

Domingo, dia de almoço em família. Levantamo-nos cedo e fomos a Fumone ver o castelo com uma lenda de que existem fantasmas. A história é bonita e há duas histórias diferentes para o mito da existência de fantasmas neste castelo. O primeiro é de um antipapa que é posto numa cela muito pequena e que acaba por morrer. O segundo é o filho dos reis (que agora não me lembro dos nomes) que é envenenado pelas sete irmãs mais velhas. A mãe não o sabe e guarda-o num armário com esperança que ele um dia ainda volte.
Almoçamos em casa dos avós. Nossa... Comi tanto. Primeiro prato: gnocchi com molho de tomate e carne de vitela e ovelha (não tenho a certeza). Segundo prato: não me lembro. Sobremesa: bolos - pandoro de chocolate, panetone - e fruta. No fim café. Estava que nem podia. Estava-me a sentir mesmo mal. À tarde fomos até à montanha e as curvas ainda me punham pior. Fez-me bem mexer um bocadinho mas já me sentia como no Natal. Credo!
Na montanha, vimos o pôr do sol e paisagens wow! Que lindo. Como se fossem desenhos. Montanhas redondas com um bocado de nevoeiro a passar-lhes por cima... Mesmo lindo. Tenho fotos.
À noite deveria ser uma noite mais tranquila mas havia um jantar de final de curso de um filho de uma amiga da sogra. Vai tudo ao jantar. Ponho-me todo bonita com a camisola branca de malha que o piccolo me deu e os saltos altos. No jantar conheci a mãe da Alessandra e da Giovanna. O finalista foi o último a chegar e o primeiro a ir embora. Houve uma altura que eu pensei que ele tinha ido à casa de banho. Começam todos a comer o bolo sem esperar por ele e penso "ninguém espera pela personagem principal?" No final do jantar o A. diz-me que ele já se tinha ido embora. Recebemos prendinhas: amêndoas de chocolate e dois frasquinhos com aroma a lavanda e a pimentos. No final do jantar, eu e o A. vamos ver a praça da cidade (Fiuggi).

Segunda feira é dia de dormir até tarde. Os últimos dias foram cansativos e estava mesmo a precisar. Saímos ao final da manhã (acho eu) e levamos pão de pizza com queijo e fiambre. Fomos novamente até à montanha fazer uma caminhada. Como são lindas as vistas. A mesma paisagem do dia anterior mas com mais tempo para apreciar. Tendo em conta que esta zona tem forma circular, nós fizemos meio círculo (ou talvez um pouco mais) no ponto mais alto, ou seja, com direito a vistas diferentes e bonitas. Também tivemos direito a um pouco de neve. Fui com os meus sapatos com sola mais alta. Parti um bocado de uma sola porque não foram feitos para caminhadas e caminhar com estes sapatos na terra dura da montanha não é nada agradável. Uma boa razão para não voltar a pegar nelas. Tiramos muitas fotos. Na descida, passamos em casa dele para ele pegar no computador e ir mandar arranjá-lo. Era suposto irmos até um lago que se podia avistar da montanha mas eu estava muito cansada para isso e ele disse que não tinha nada à volta onde pudéssemos passear. Era o lago e já está. Mais nada. Disse-lhe então que não fazia mal e que também já era tarde (ficamos muito tempo na loja dos computadores). Mas o menino gosta pouco de ir para casa cedo... Nahhh, ele estava era todo contente comigo lá. Mostrava-me tudo, falava de tudo. Em Paris não fala ele assim. Via-se mesmo que estava feliz. E eu estava feliz por vê-lo assim. Em vez de ir para casa fomos a outra vilazinha perto de casa dele que se chama Vico. Uma vilazinha mesmo fofinha. Não estava rodeada de muralhas mas as casas fechavam o espaço e só havia uma entrada. Eram ruínhas que subiam e desciam, em paralelo, com umas casinhas pequeninas, outras maiores, onde se podiam ouvir vozes de pessoas, da televisão ou simplesmente ver as luzes do interior das casas... Muito aconchegante. Claro que ninguém leva ali uma vida, mas para ter paz, não há melhor.
Voltamos para casa e voltamos a jantar nos avós. Primeiro prato: polenta. Segundo prato: Bufala Sobremesa: bolo de nozes e tâmaras e fruta. Eles falavam tanto... Nossa. Cheguei a uma altura que me começou a doer a cabeça e então deliguei um pouquinho. Não percebia e não.... por isso o esforço era desnecessário.
Quando fomos para casa, entrei no facebook para meter uma foto que tinha tirado na montanha. E para isso tive de a enviar para o meu email, entrar no tablet dele, entrar no meu email, descarregá-la e ir busca-las às imagens. E começa aqui a história que quero contar.
O menino tinha uma foto tirada como printscreen no Skype. A foto estava escura e por isso não dava muito bem para ver a cara da rapariga. Já vai ouvir. Entra no quarto, põe-se ao meu lado e vê-me a pôr a foto na net. Vou às imagens e apago a minha foto. Deitamo-nos e digo-lhe:
- Não gostei duma foto que vi no teu Ipad. Mas pronto.
Não ouve. Como não voltei a repetir, pergunta:
- Quê? Não percebi.
Faz sempre isso. Ouve sons saídos da minha boca e não está atento ao que digo. E só quando me calo e ele acha que é suposto responder alguma coisa é que pergunta pelo que eu disse.
- Não gostei duma foto que vi no teu Ipad.
- Que foto?
Pega no Ipad, acende a luz, vais às imagens. Mostro-lhe a foto. Diz-me que já a tinha visto. Sim, tinha visto outras mais acima (mais antigas) mas esta do Skype não. Ou pelo menos não me lembro. Supostamente era a mesma amiga que estava em cima e foi antes de nos conhecermos.
- E porque é que tiraste uma foto com ela no Skype? Ou porque é que fizeste Skype com ela?
- Era para experimentar tirar foto ao que aparece no ecrã.
Depois esteve para lá a explicar que era carregar em dois botões ao mesmo tempo.
- Ok.
Desligamos a luz. Não disse mais nada. Com as mãos, ele procura-me os olhos. Ele sabe que eu sou uma chorona. Mas desta vez não teve sorte. Apesar de triste, não tinha vontade de chorar.
- Hey! O que foi? Já te expliquei. Aquelas fotos estão ali há muito. Daniela! Não estou a perceber.
Fiquei um bocado calado e depois:
- Não sei se foi impressão minha. O teu amigo David perguntou no sábado se eu era a última namorada.
- Oh, O David só diz merda. - disse imediatamente como se estivesse à espera que eu o fosse dizer. - Ele faz isso a toda a gente. Diz coisas sem pensar. O Marco (um amigo dele) até já ficou sem falar com ele algum tempo por causa de uma rapariga porque ele está sempre a mandar bocas. Ele diz as coisas sempre nos momentos em que não as deve dizer. Ele é assim.
- Hum. Mas ao dizer aquilo deu a sensação que tu andas aí a colecionar namoradas.
- Oh Daniela. Olha, se queres saber, tu foste a primeira namorada que ele conheceu. Donc déjà n'y a pas de sense à ce qu'il a dit.
Fiquei calada.
- Mas tu acreditas mais nele que não o conheces do que em mim.
- Não. Eu acredito em ti. Só te estou a falar disto porque ele o disse e eu não gostei.
- En plus, tu es la première copine a venir chez moi.
- Mais non.
- Dormir oui.
Fiquei calada. E não contive as lágrimas. Estar ali a dormir ao lado dele, com os pais a dormir no quarto ao lado, a ser tão bem tratada por todos, amei-o ainda mais. E não consegui dizer nada. Beijei-o na cara e fomos mudando de conversa. Fiquei tão feliz. Quando me disse "boa noite" passou-me a mão na cara e sentiu-a molhada.
- Tu pleures? Tu sues tellement que je ne sais pas si tu pleures ou si tu sues.
Ri-me.

Terça feira levantamo-nos às 6h da manhã. Primeiro que o pai. A mãe já estava a pé mas porque acorda cedo.
Levei o bolo de nozes e tâmaras num tupperware - que sogra mais simpática - mais as amêndoas do domingo. As que levava a mais eram para as minhas irmãs, segundo a mãe dele. Os avós também já estavam a pé e despedi-me de todos. Todos estavam pendurados na varanda a acenar na despedida. Que queridos.
Chegamos ao aeroporto numa hora e meia. O A. entrou no estacionamento e ainda tínhamos 2h para o fecho das portas. Ficamos ali a conversar. Depois levou-me lá dentro, despedimo-nos (7 dias sem nos vermos) e entrei no controlo de metais.
Um aparte. Talvez seja esta história toda dos atentados mas o homem que estava à minha frente na fila para o avião tinha ar de terrorista e fiquei mesmo com medo. Até mandei mensagem ao meu pequeno "Gosto muito de ti. Para o caso do avião não chegar". Chegou.

Resumo destes 3/4 dias:
Fui muito bem recebida. Senti que todos gostaram de mim, mesmo pessoas que não eram da família, como as amigas da mãe. A mãe dele abraçava-me e dizia-me: Dániééééé, bella. E outras coisas mais que eu não percebia. A mãe dele apreciava-me quando eu estava a comer. O pai não me deixava acabar de comer e já me estava a propor mais. Não, por favor. Já comi muito. Adorei, adorei, adorei. O avô falava-me de Portugal, das laranjas com este nome, dos portugueses em Roma que não pagavam e de um rei italiano que foi enviado para Portugal por se portar mal em Itália (pormenores desta história é que eu não sei)

Agora é a vez dele. E só quero que tenha a mesma ou melhor hospitalidade que eu tive em casa dele.

17 setembro, 2015

EU, A PROFESSORA DE PORTUGUÊS

Dói-me a cabeça. Dói-me o coração. Tenho a sensação que não vou conseguir dar conta do recado. E não gosto nada desta sensação. Porque quando estou num trabalho, gosto de o fazer bem.
Ser professora não é fácil. e pelo 1º ano da minha vida, sou uma professora normal. Não sou estagiária, não sou substituta. Sou a professora de Português. Ponto. A meio do mês e já tenho testes para corrigir. Vou fazê-lo amanhã. Nem sei que cotação atribuir, quanto descontar dos erros ortográficos. Enfim. Logo verei. 
Para além disso, tenho uma aluna que quer passar o BAC (não me perguntem o que é, please) em Literatura Portuguesa. Pelos vistos exige muito esforço da minha parte para prepará-la. Eu nem sequer conheço direito o programa.... A professora que estava no meu lugar no ano passado não me atende o telefone.
Detesto as quartas porque dou aulas ao liceu - que inferno! Às vezes nem quero falar muito com medo de que os alunos saibam mais do que eu (é triste). As quintas à tarde matam-me porque 6º e 7º anos seguidos é o terror. Barulho de canetas, de folhas e de porta-lápis a cair é coisinha que não falta. Mascaro-me e sou uma professora má durante estas duas horas. Saio da escola com uma cabeça que eu nem sei.
Resta-me o 8º e 9º que é pacífico mas porque só tenho duas alunas em cada ano.

Ai querias ser professora? Toma lá que é para aprenderes.

E pronto. A minha esperança é um dia mais tarde vir aqui ler este texto e perceber que a única coisa que me faltava era experiência e entrar no ritmo escolar francês. De resto, a vida de um professor é fácil.


Uma pequena história na sala de aula. Hoje, que é quinta-feira, dei aulas ao 7º ano. Os trabalhos de casa era saber simplesmente apresentar-se, utilizando os verbos "chamar-se" e "ser". Por exemplo: Eu chamo-me Mónica e sou francesa. Uma miúda que ainda não percebeu as regras nas minhas aulas, fala sempre sem ser solicitada e diz-me: 
- madame, madame, eu fiz os trabalhos de casa e escrevi tudo no caderno. Passei a limpo e tudo. Fiz os trabalhos de casa com a minha mãe. Posso ler? Então, eu chamo-me I, sou francesa, mamãe turca, papai argélie.
- Ok, ok - interrompo-lhe eu. Eu só pedi com os verbos chamar-se e ser. O resto ainda não sabes. Essas frases não estão bem feitas.
- Mas madame, está bem? mamãe turca, papai argélie - repetia ela. E ria-se.
- Para já não é papai nem mamãe.
Diga-se de passagem que me deu uma vontade de rir do caraças. Ainda fiz um sorrisinho à AVS.
- Sim, é. Nós vimos um filme no ano passado que a outra professora nos pôs. E eles diziam mamãe e papai.
- Sim. Mas isso é português do Brasil. É mãe e pai.

Oh que sorte de rapariga lá com o mamãe e papai afranceleirado.

25 junho, 2015

PICCOLO

Nossa,  há tanto tempo que não venho aqui.
E não há grande coisa a dizer, à parte a busca intensa de trabalho e o stress de esperar por respostas que não chegam.

Vou falar um bocadinho do piccolo. Estamos bem. Amanhã até vamos à exposição de Milão e ficamos lá o fim de semana. Acho que é a primeira vez que vou andar de avião com ele. Afinal não acho. É mesmo a primeira vez. 
Mas tenho medo que a nossa relação esteja a cair na rotina. Não vivemos juntos mas às vezes parece. E às vezes dou por nós concentrados na tecnologia. Cada um com o seu telemóvel, Ipad ou computador, no mesmo espaço da casa, e não conversamos. Já lhe disse uma vez que quando estivermos juntos, a tecnologia não entra. Tenho de levar isso mais a sério. 
Além disso, sinto falta daqueles primeiros tempos, quando nos conhecemos e tudo era mágico. A forma como ele me olhava. Havia tanto amor naquele olhar. A forma como me dava carinho. Os abraços que me dava a toda a hora. As coisas bonitas que me dizia. Era tão lindo! E lembro-me de pensar que só podia estar a viver um sonho e que não podia pedir mais que isso. Agora isso já não acontece. A rotina, lá está! Também sei que se lhe falar, ele vai mudar e tentar ser o príncipe que era antes. 
A tese que ele está a fazer ocupa-lhe muito tempo e sei que pode servir de desculpa. Compreendo-o. Mas é aquela coisa, não sei. Sinto que sou eu que o elogio em tudo e acho que ele se habituou um bocado a isso.

11 maio, 2015

E PARABÉNS PARA MIM

Foi há dois dias atrás.
Foi um dia tão igual aos outros. Houve momentos que até me esqueci que era o tal dia. O príncipe deu-me duas camisolas da Desigual e um jantar no restaurante português. Esperava mais dele. é tão romântico, blablabla, que pensei que iam sair surpresas atrás de surpresas. Mas pronto. Pode ser que para a próxima seja diferente.
O problema é que há um dia atrás, ou seja, ontem, o rapaz desiludiu-me. Não é bem esta a palavra. O problema é o seguinte. De vez em quando o rapaz anda calado. Ou então anda sempre e eu não me apercebo porque falo, falo, e nem dou conta. Mas ontem lá estava mais caladita e o rapaz não abria a boca. "Que tens, que tens". "Nada", ou "Tou triste porque sinto-me velho".
Não liguei. Já lhe disse que gosto das brancas dele.
Ainda por cima fomos passear até um parque que quando lá chegamos era um conjunto de relva mal aparada. E ainda por cima numa cidade que não tem nada. Fez-me lembrar aqueles casais que moram ali ao lado e que vão passear para lá ao domingo. Que domingo triste!
Chegamos a casa e disparei: Anda lá. Fala lá um bocadinho. Quero-te ouvir. Conta-me coisas.
Continuava sem falar, respondendo um "hmm" que não percebia se era de consentimento ou se não tinha percebido o que tinha dito. Não falou e passou 4 horas com o Ipad na mão. Respirei fundo para não me chatear mas perguntava-me o porquê dele estar ali comigo se afinal era só o corpo presente.

Entretanto lá começou a falar que soube que um colega dele ia ser pai, que estava a ficar velho, que isso tudo o assustava.
"Tens medo de envelhecer? Isso são os jovens. Não os adultos. E já te disse que gostas dos teus cabelos brancos"
Blablabla começa a chorar.
Uf!
Não me deixei levar pelas suas lágrimas e disse-lhe que isso não era razão para estar assim. Acabei por lhe dizer também que ele me deixava muito triste por nunca falar comigo. Ele contradisse-me e eu disse-lhe que as brincadeiras e piadas que ele conta não valem. Que não sabia nada dele porque ele nunca contava nada. Não respondeu.

O assunto mudou e tudo ficou bem. Mas hoje, ao pensar nisso, sinto que há ali mais qualquer coisa. E estou insegura. Triste. Com o coração apertado. Pergunto-me, mais uma vez, se este investimento vale a pena.

=(

15 abril, 2015

O-OMA

E continuo a dizer que o amo enquanto ele dorme. E na minha cabeça quando o observo. Ainda não saiu nada desta boca. Medo e insegurança. Mas há-se sair. Mesmo que venha a sofrer.

13 abril, 2015

EXS

Estou mal. Muito mal. Isto das exs é sempre um problema. Quer dizer, é? Porque nunca tive experiência. É o que dizem, bah!

18 março, 2015

UM SÓ SENTIMENTO

Particularmente triste nos últimos dias, ou mesmo semanas. E se penso muito nisso choro, por isso nem vou pensar.

Na semana passada passei-me com uma miúda na cantina da escola, agarrei-a pelo braço e empurrei-a contra a parede, de tão mal educada que ela é. Começou a dizer que eu lhe bati, não sei quê, ... Vi a minha vida a andar para trás. Ainda por cima por ser uma rapariga que não se deixa ficar. Não lhe bati mas toquei-lhe. E no mundo atual, fazer isso numa escola é caso para ir para a televisão e ser despedida a seguir com direito a não trabalhar mais nas escolas. Tentei falar com ela mas recusou. Fui falar com a diretora e, ufa!, ela livrou-me. Defendeu-me e disse que não exagerei em nada. Que sabe que há sempre problemas com ela. Toma lá para aprenderes (árabe de merda).

Insegura em relação ao meu pequeno (como sempre). Medo que um dia tenha de ser obrigada a esquecê-lo. Isso sim, é um dos maiores motivos que me faz ficar muito triste. E o facto de saber que ele troca emails com a ex dele também não ajuda. Tenho de falar com ele sobre isto ou as minhas noites de sono não vão ser as mesmas.

Não tenho trabalho fixo e canso-me mais do que se tivesse. Andar de um lado para outro, muda de linha aqui, muda de metro ali, entra no autocarro acolá esgota-me.

Não tenho amigos aqui. A única pessoa que tenho é mesmo o meu homem. (a família e a colega de casa não contam). E sim, amizade é mais importante que amor. Concluí isto em Valência, quando estava rodeada de amigos.

E pronto, é isto que me faz sentir triste. Já é muita coisa.

04 janeiro, 2015

E O ANO DE 2014 FOI...

...o pior da minha vida.
Nem o ano após terminar o curso conseguiu ser tão mau.
Chorei, chorei. O ano em que mais chorei. 

E foi logo em janeiro. Estava a estagiar em Chambéry e não fosse eu prolongar o período de assistência, o contrato terminaria no dia 12. Pensei muitas vezes o porquê de o prolongar. Ia para a escola e servia para nada. Dava 2 ou 4h de aulas por semana e o resto das horas assistia simplesmente às aulas. Falei com a diretora, consegui reduzir um pouco ao meu horário (já que não ia para a escola fazer nada) e comecei a dar aulas também de inglês. A coisa melhorou. 

Fevereiro até foi mais ou menos. Também é mais curtinho. Mês da visita dos primos e mês de ir para a neve.

Março. Ainda não era contagem decrescente da minha estadia nessa cidade mas já começava a pensar o que fazer depois. Afinal apercebi-me de que gostava mesmo do A.

Abril. Chorar todos os dias. Aqui já era a contagem decrescente. Estive todos os dias com o namorado e, fora uma ou duas noites, dormimos sempre juntos. Lembro-me de rir de felicidade quando o abraçava que se transformava de imediato em choro. Final do mês decidimos continuar à distância.

Maio. Para quem estava habituada a estar todos os dias com ele, não o ver (e mesmo ouvir) durante dias foi horrível. Consequência? A Dxani chorava de manhã até à noite. Final do mês não aguentei e disse que queria parar com a relação. Estava à espera que ele contradissesse mas não o fez. Até porque eu disse-lhe decidida que queria terminar. O rapaz não teve escolha. Mesmo assim continuamos a falar como dois namorados. As únicas coisas que não dizíamos era "tenho saudades tuas" e "gosto de ti".

Junho. O mês em que não tive namorado mas reagia como se tivesse. Contava-lhe o meu dia. Ele contava-me o dia dele. Final do mês (mesmo mesmo no final) ele foi a Portugal. Pronto. Fizemos as pazes. Uma semana feliz. Outra vez namorados.

Julho. Mais uma mês de degredo. Não tinha muita coisa para fazer. Ainda dei umas explicações. Tirei o CAPPLE no Porto. Final do mês o tio que está em Paris arranjou uma cunha e fui a uma entrevista. Fiquei. Comecei a trabalhar 2 dias depois.

Agosto. Supostamente podia estar com o meu pequeno mais vezes visto que estávamos na mesma cidade. Mas não foi isso que aconteceu. Como estava a viver em casa dos tios, a liberdade acabou-se. Final do trabalho, casa. Ao domingo? Podia mas esse dia é para estar em família e em casa. Propus sair? Sim, mas percebi que não gostavam da ideia. Ainda fui uma vez com o primo mas senti que foi só para me fazer a vontade. Deixei de pedir e a viver enclausurada. Os tios foram a Portugal a meio do mês e aí aproveitei para estar o máximo de tempo com ele. Até porque depois mudei de casa e a liberdade era outra. Estive algumas vezes mas sentia-o distante. Pensava se ele gostava da ideia de eu ter ido ter com ele.

Setembro. Quando achava que o meu trabalho era assim-assim, neste mês tive a certeza que odiava. Mas o que podia eu fazer? Precisava de dinheiro. Quase chorei quando a gerente me disse que não podia tirar férias no Natal. Depois chorei que me fartei em casa. Trabalhar em algo que não gosto e impedirem-me de estar com a minha família numa altura que adoro. Ficar completamente sozinha em Paris? Mas o que é que estou aqui a fazer? No início do mês saíram candidaturas para a minha área para a zona do país. Como não tinha net, não vi e os prazos passaram. Toca a chorar como uma desesperada outra vez.

Outubro. Fartinha daquele trabalho. Procuro por todo o lado na minha área. Não encontro, claro. Logo no início do mês dizem-me que não me vão renovar o contrato e que só trabalho até ao final do mês. Ia-me dando uma coisinha má. Não gostava de trabalhar lá mas ficar sem emprego era pior. Comecei a mexer-me a sério e arranjei um estágio como professora suplente. Só precisava de passar no estágio para poder ser professora (uma vez que já tinha os diplomas necessários). Avisei que sairia mais cedo do que o previsto porque tinha arranjado na minha área. Passei no estagio. Entretanto foram férias escolares e só me restava esperar.

Novembro. Início das aulas novamente. Toda contente espero que me telefonem na segunda e nada. Até me levantei às 6h da manhã para ter tempo de me preparar e chegar a tempo à escola. Nadinha de nada. Terça igual. Telefono e dizem-me que tenho de esperar. Que nem sempre têm substituições. Percebi que não podia contar com eles e comecei a procurar por outros lados. Entrego currículos em tudo que é escolas privadas no centro de Paris. Meio do mês de novembro e sem trabalhar. Casa para pagar, alimentação. Muita pressão da mamã e da irmã, que tenho de procurar mais, que não posso querer trabalhar só na minha área, blablabla. Choro até de choro. A meio do mês arranjo trabalho como babysitter. Vou buscar uma menina à escola e aguardo em casa dela até a mãe chegar. Começo a ficar um pouco mais contente. O mês já não ia passar em branco. Ponho anúncio na net para explicações de português. Final do mês ligam para explicações de português e de uma escola em Paris. Entrada imediata. Cinco meninos para explicações. Uma vez por semana na escola. Fico contente. Finalmente na área.

Dezembro. Começo na tal escola. Gosto. Apesar de ser muito cansativo. Trabalhar noutra língua também não é fácil. Arranjo mais uma pessoa para explicações de português e desta vez a ganhar mais. Ganho um pouco mais mas nem chega ao ordenado mínimo. Pergunto-me se vale a pena o esforço. Choro. Ainda não tenho amigos. e pelo que vejo não vou ter. Fico ansiosa por ir a Portugal no Natal. Chego a Portugal e é a alegria. Toda a gente me fala de lugares que procuram professores de línguas (querem-me ver cá?). Pergunto-me também o que vou fazer para as franças. As duas semanas passaram a correr. Mas verdadeiramente a correr. nem tive tempo de estar com toda a gente.

Janeiro 2015. Hora da despedida. Choro mais uma vez. Não quero ir. Só tenho lá o namorado e não sei se é motivo suficiente para ir. ainda por cima a viagem é de carro, o que dá tempo para pensar em tudo. E chorar, chorar. Não gosto dos tios.

Agora já estou na minha casinha. Vejo que o frigorífico está vazio mas a conta ainda não está recheada. Primeiro a senhoria. Hoje o pequeno chega. Vamos ver. Ele não sabe desta minha sensação. De não gostar de estar cá. De olhar à volta e senti-me uma desconhecida. (bah, sabe que não gosto disto, mas não sabe que é desta maneira tão profunda)

E pronto, gostava de ter escrito posts durante as férias de natal mas nem tempo tive de me pôr em frente ao computador. De qualquer das maneiras, correu tudo muito bem. Como todos os anos!

Não, este ano não vou passar o mesmo que no ano passado. Isto vai dar uma volta....

19 dezembro, 2014

RESUMO DOS ÚLTIMOS DIAS

Ora, não tenho tido muito tempo para vir para o computador.
Ou estou com o namorado, ou no trabalho, ou a trabalhar em casa, ou nem sei. mas andei numa correria esta semana!!!

Esta semana fizemos a troca de prendas com o A.
Eu dei-lhe uma camisola azul toda fofinha da Benetton. Era um pouco pequena e fui trocar no dia seguinte. Não é por nada mas fica-lhe muito bem. É mais o azul que se sobressai bem nele. Já chega de pretos e cinzentos.
Ele deu-me um vestido da Desigual. Não é uma marca que aprecie. Muita fantochada, muitas cores juntas. Mas como foi ele que deu, eu aceito com todo o gosto e vou guardar para a noite de Natal. Visto que sou uma pessoa pequena com uma altura razoável para uma portuguesa mas não muito alta, o vestido assenta-me de uma maneira estranha. mas meto uns tacões e já pareço outra. Vai é obrigar-me a usá-lo sempre com tacões.
Fizemos trocas de chocolate também. Mas diga-se de passagem que ele comeu mais do chocolate que me deu do que eu. O Ursinho.

Ontem foi jantar de Natal. Estava para ir mais gente mas afinal só fomos 5. Os colegas de casa dele, eu e o rapaz que convidou para o jantar. E diga-se (mais uma vez de passagem) que foi a primeira vez que tive um jantar de Natal tão tristinho. Sem música. Sem brindes. Bah, ainda me ri um bocado com as piadas do petit. E do namorado também, bah, que ele é um engraçado.
Menu de Natal:
Lasanha feita pelo A. (estava boa mas se ainda estivesse quentinha estaria melhor)
Aletria (feita por mim). Acho que o pessoal até gostou.
Bolachinhas de Natal em forma de bonecos (feita pela alemã)
Bolo típico de Baviera (feito também pela alemã) e estava super bom.


Na escola passa-se tudo bem. Ainda não tenho o domínio do grupo mas este mês foi muito agitado por causa do Natal e de eventos que tivemos fora da escola que acho que em janeiro as coisas vão correr melhor. (espero bem)
Na terça foi a festa de Natal dos pequeninos e os pais foram assistir. Tive a oportunidade de falar com alguns e gostei muito. São pessoas muito simples, muito simpáticas. Alguns fizeram-me algumas perguntas sobre mim. E são de uma classe bem posicionada. Só gente chique.

Quanto á R. que vou buscar à escola, só fui terça nesta semana. Isto assim não rende. Ficou doente e pronto. Em princípio amanhã vou encontrar-me com ela para lhe dar o meu presente de Natal. Parece que também tem algo para mim.

Ontem (quinta) e hoje não trabalhei mas andei de um lado para o outro que foi uma coisa louca. Comprar presentes de Natal, rendez-vous, e mais não-sei-o-quê.... Oh la la! Mas c'est bon. Já tá tudo comprado e agora estou no quentinho da minha casa, como eu tanto gosto. 

O meu pequeno vai hoje para o seu país e eu não vejo a hora de ir para o meu também.

Amanhã tenho explicações de português e é tudo para o mês de dezembro. Tenho também uma prendinha para os meninos.

Domingo às 5h da manhã arranco para Portugal. Oh God, mesmo à emigrante.

27 outubro, 2014

SONHOS COR DE ROSA

Ontem, com o meu pequeno, discutíamos comida. Para variar um bocadinho. Mas ontem mostrou-me batatas ensopadas e panados. 
E eu logo: 
- Ei ei ei. Isso são comidas portuguesas. Não me venhas com coisas. E se não são portuguesas, são outra coisa qualquer. Mas não são italianas. Olha, vou ali a Itália comer batatas e já venho, queres ver?

Continuando com as comidas, mostrou-me aquilo que é típico comer-se na Páscoa. Beeeeeh! Dégueulasse! Fígado, coração, rins e essas coisas todas misturadas. Um castanho estranho. Atenção que eu gosto disso tudo, mas o aspeto das fotos não eram nada apelativas.

Bom, mas o que eu quero mesmo dizer é que a meio da conversa diz-me ele: Vens a minha casa na Páscoa?
Penso se estou a ouvir bem e sabendo que sim, desvio a conversa com "comidas muito estranhas. Nem parece de Itália."
Ele continua a falar e a explicar como tudo é feito até que mais tarde volta a dizer: "Tu vens a minha casa na Páscoa?"
E a Dxani, como sabe disfarçar muito bem, continua a falar como se não tivesse ouvido.

Não é por nada mas isto faz-me muito bem ao coração! Não sei se ele estava a falar a sério ou o ir a casa dele não significa nada. Mas para mim é de uma importância que ele não imagina. Visto que isto de conhecer a família não é para todos (lá está, no meu ponto de vista).

Vou esperar para ver se ele volta a tocar no assunto. Aí já vou estar preparada para responder como deve ser:
- Ai e tal, conhecer a tua família? Apresentar a namorada? Mas isto é uma relação séria? Sim? Aiiii que lindo!!!!

E como estas coisas não me deixam indiferente, esta noite sonhei com isso. Conheci a mãe e o irmão dele. 
A mãe, que também é professora, começou a falar comigo sobre o trabalho e só me lembro que não percebia nada do que ela dizia. Mas discutir um assunto comigo, mesmo sendo noutra língua, já mostra muito esforço.
O irmão começa a falar comigo em francês. Não me lembro do que me disse. Só me lembro de lhe perguntar: Ah! Falas francês?

E pronto, isto deixa-me fora de mim. E pensar que já pensei tantas vezes deixar cair tudo que ando a suportar.

07 julho, 2014

SÓ ESTA VIDA

Assim como quem não quer a coisa, fui ver se já havia novidades na DGAE. E não é que havia!! Pela primeira vez estou na listas dos excluídos. A mania de inventar e de me candidatar a merdas que não podia, como por exemplo o Concurso Externo Extraordinário. 
"Ah e tal porque tens de ler no Diário da República. Esse concurso era só para professores a trabalhar há pelo menos 3 anos." 
"Espera lá que eu é que me vou dar ao trabalho de ler isso. Deixa lá. Também não ia ser selecionada, e não."


Outra novidade fresquinha: Desinstalei o WhatsApp
Não sei se resulta mas pode ajudar. Vamos ver é quanto tempo vou aguentar. E não estou a fugir dos problemas. Estou a evitá-los. Ainda gosto um bocadinho de mim.

06 julho, 2014

(SEM TÍTULO)

Quero-o muito. 
Tudo em mim pede que ele esteja aqui comigo.
Tenho tanta necessidade de o sentir ao meu lado.
Tanta tanta!

(sigh)

05 julho, 2014

SIGHS AND TEARS

Entrar no blog quase todos os dias e não escrever nada desde há 3 semanas.... Não sei. Tanta coisa para dizer e ao mesmo tempo... niente.
Esta semana estive de mini férias com A. Veio fazer-me aquela visita que me prometeu fazer. Quatro noites, duas das quais em minha casa, com os pais, irmã, tios. Mais do que um amigo para mim mas um mero amigo para todos eles. 
Agora choro. Como quase todos os dias dos últimos dois meses. E tudo pela mesma razão. Faz-me tanta falta. Não consigo estar longe dele. Está sempre na minha cabeça. Tudo que faço é em função dele. Encontrar trabalho em qualquer coisa mas num único sítio. Tudo é ele. E ele é tudo para mim. 
E diz-me a experiência que ele poderia ser o meu homem (e eu sou uma esquisita).
E conhecendo-me, trazê-lo cá a casa foi um ato muito pensado. Nunca trouxe nenhum outro namorado, com mais ou menos tempo de namoro.
A vontade que tenho é de passar o dia todo a enviar-lhe mensagens, falar com ele, saber o que faz a todo o momento. Mas controlo esse possessividade (se é que posso chamar-lhe assim) e não o faço.

Já tenho saudades dele e só voltou ontem.
Saudades dos sábados e domingos inteiros que o passávamos juntos, desde manhã até voltar a dormir. Mesmo quando ele passava horas no PC a trabalhar. O simples facto de estar ali no mesmo espaço que ele era tão bom, tão reconfortante. E tinha tanta certeza que era ele.

E não é muito agradável não saber qual é o meu estado civil neste momento.

Tenho dificuldades em passar para o papel aquilo que sinto e por isso não sei o quão convincente estou a ser. Só espero vir ler este post daqui a uns anos e saber que era realmente isto que eu sentia (e talvez um pouco mais).




(vou ali responder-lhe ao WhatsApp)

09 maio, 2014

PARABÉNS PARA MIM

Foi mais um ano que passou. Este ano bem mais calmo que no ano passado porque no ano passado tive direito a duas festas. Como é bom ter amigos.

E como já disse no facebook, sobrevivi aos 27 anos. Mas não esperava outra coisa. Não segui nenhuma carreira na música.

01 maio, 2014

PARABÉNS, MEU HOMEM!

O A. hoje faz anos e ainda só falei com ele por mensagem. Vou ligar-lhe daqui a pouco.

E hoje quando acordei dei por mim a lembrar-me do tão bom que é o quentinho de acordar ao lado dele e dar-lhe logo beijinhos.

E lembrei-me também de algumas coisas que ele me disse alguns dias antes de eu voltar (na semana passada, portanto).

Num dia de sol, num banco de jardim com todos os reformados e miúdos do liceu, ele pergunta-me:
- Gostas de mim?
- Quê?
- Gostas de mim?
- Porque é que perguntas isso?
- É uma pergunta normal. Não posso perguntar?
- O que é que tu achas?
- Acho que sim. Mas gostavas que mo dissesses mais vezes.
A Dxani começa, então, a chorar.

Dias mais tarde.
- Vais convidar-me a ir a Portugal? (esta pergunta já tinha sido feita mais ou menos há um mês atrás e a resposta tinha sido "não")
A Dxani olha para ele com uma vontade de chorar e consegue dizer "Sim"
- É que andas a convidar toda a gente para ir a Portugal menos a mim.
Passo a explicar. Na semana passada foi a despedida da maior parte das pessoas que eu conheci em Chambéry e eu dizia sempre:
"Se forem a Portugal digam-me alguma coisa" ou "Quando quiseres tirar férias vai para Portugal que é barato e avisa-me"
Daí ele ter mandado a boquinha. Só que lhe consegui dizer "É diferente" entre os dentes e a tentar não chorar mais.

E quem lê isto pensa logo: O que é que esta rapariga quer, afinal? Que má pessoa que ela é, blablabla.
Não. O que eu não gosto e tento evitar é sofrer e chorar por algum homem. E se não lhe dizia o quanto gostava dele, era para me proteger. (dizia-o quando ele já estava a dormir). E se não quero que ele me visite é porque não sei até quando posso prolongar uma relação assim. E não é uma relação à distância que eu quero. 

22 abril, 2014

DÚVIDA EXISTENCIAL 3

Leitores, venham cá todos dar uma ajudinha. Eu sei que não tenho leitores, mas venham cá na mesma.
Depois de sete meses em França, vou para Portugal dentro de dias e quero saber qual é a "expressão portuguesa" de admiração. Passo a explicar.

Exemplo:
Pessoa 1: Ontem cheguei a casa às 22h, ainda tive de tomar banho, fazer o jantar, dar atenção ao maridão e aos pequenos, preparar as aulas para o dia seguinte e adiantar o almoço também do dia seguinte. Às 00:30 estava já deitadinha na cama pronta a dormir.
- Qual é, portanto, a reação da pessoa 2?

Aqui em França eu diria: Oh laláaaa!
Mas não acho grande piada ir com estes tiques para Portugal, tipo avec.

Acho que, antes de vir para França, eu diria: "Creeeedo!"
Mas queria conhecer um mais bonito que este. Religião à parte.

E digo-vos, é incrível como só me saem Oh lalás da boca para fora. Somos realmente influenciados pelo lugar onde estamos. Por isso, quando pensarem em criticar os avecs por falarem um português afrancesado, lembrem-se que é mais forte do que nós. Eu, claro, faço um esforço para que isso não se note mas o nosso cérebro tem destas coisas.
No ano passado quando estava em Espanha, era o Vale que eu dizia constantemente. Aqui, é o d'accord!

Bah, ajudem lá!

07 abril, 2014

PROFESSORES SUBSTITUTOS, HOMENS DA MINHA VIDA E MAIS QUALQUER COISA

Há um professor substituto lá na escola (que por acaso foi o último dia hoje) que é um pão. Nossa, aquele homem pensa que vai dar aulas de Educação Física porque vai vestido como todos os professores desta disciplina. Calções, t-shirt e sapatilhas. Homem desportivo na casa dos quarenta. 
Tem um corpinho que-meu-deus, é bonito e hoje vi-o no intervalo a tocar guitarra e com quase todos os alunos da escola à volta dele a cantar. Que delícia. Não só é bonito e jeitoso como também toca guitarra.
Sim, já dizia aqui o quanto gostava assim de um homem.

Mas depois penso no A. e digo:
Naaaah! Deixa estar o professor sossegadinho. O meu homem não sabe tocar guitarra mas não o troco.

Que gato!




Olhar para esse tal prof. e babar (fazendo-o disfarçadamente) não é trair, pois não? Não, eu sei que não.

21 março, 2014

ROCK IN RIO 2014

Acabei de me inscrever como voluntária no Rock in Rio 2014.
Sou uma pessoa generosa, amiga do seu amigo, que gosta de fazer o bem, blablabla, mas não foi por isso que me inscrevi. É que tenho medo daquela que será minha vidinha miserável a partir de maio. E se fizer alguma coisa, mesmo sendo de borla, já é muito bom.

Se for selecionada, será a primeira vez que irei a este festival.

Por hoje é tudo! E já ando a escrever muito para o normal.