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01 junho, 2016

ESCOLAS DE BAIRRO - O PIOR DOS PESADELOS

Este tema nem merecia vir para o meu blog, mas eu e os pormenores não nos damos bem. Por isso tenho de registar para daqui a uns anos ainda me rir com isto. (e espero mesmo rir)
E é sobre a nova escola onde estou. Sim, despedi-me de onde estava para vir para esta escola de malucos, onde a educação é coisa que muitos nunca vão chegar a ter. Como eu costumo dizer, é a Amadora no Luxemburgo.

Aqui vão algumas citações dos alunos deste estabelecimento. De referir que é uma escola do 1º ciclo com seis anos de estudos. Os alunos podem ter até 12 anos. Algumas das citações podem chocar. Não aconselhável a pessoas sensíveis.

Alunos na minha sala de aula:
- A minha mãe não quer que eu coma doces antes do jantar. Ela diz "se te pões a comer doces, depois vais para a mesa e não comes um cu"

- As raparigas estão a demorar muito na casa de banho. Devem estar a mexer na rata.

- Como é que as primeiras pessoas do mundo sabiam como se faziam filhos?

- Tás nervoso? Sabes como é que diz a minha mãe? Mete os nervos pelo cu acima.

- A minha mãe foi ontem à consulta mas ainda não deu para ver se tem pila ou virgínia (a mãe está grávida)

Alunos na sala de aula das minhas colegas:
- O meu padrasto vai para a cave com a minha irmã. Eu sei o que eles vão para lá fazer. A minha irmã agora tem namorado e o meu padrasto não gosta nada dele. A minha mãe diz que não faz mal porque eles só foram para a cave uma vez, mas eu sei que eles já foram outra vez. Eu não quero que a segurança social venha lá a casa porque um dia mais tarde eu quero ter um trabalho e posso ter problemas em arranjá-lo por causa disso.

- Quanto é que mede a tua pila? Temos de a medir quando ela estiver assim mais reta.
(entretanto arrancavam os pelos e colocavam em cima da mesa)

- Eu até chamo o meu pai para te vir papar o que tens no meio das pernas. (dito por uma rapariga para a professora)

- Que fixe! Hoje é sexta. Hoje à noite vou pró karaoke com o meu pai, bebemos umas bejecas e no fim levamos umas gajas pra casa. Tumba, tumba, tumba, toda a noite.

- Oh professora, porque é que às vezes a piça endireita?

(post em contínua atualização até dia 15 de julho)

02 março, 2016

FÉRIAAAAAAASSSS

Tá feito. No passado dia 26 de fevereiro, para além dos anos da mamã, reservamos as nossas férias. Mas férias como deve ser. Desta vez não são férias culturais em que saltamos de museu em museu, de rua em rua e que compramos algo típico dessa cidade. 
Desta vez são férias com muito sol, calor e areia branca. 
Sardenha, espera-nos que nós em julho estamos aí.
Alugamos também um carro para podermos dar umas voltas e conhecer as praias da ilha. Oh tou tão contente! (apesar de ser uma época em que toda a gente está de férias, tenho medo que algum trabalho surja nessa altura e me impeça de ir. Cruzar os dedos).
A casa também já está arrendada e foi através do Airbnb. É a primeira vez que reservamos neste site mas já falamos com o proprietário e tem tudo para correr bem.

É só fazer uma pequena dieta e esperar que o dia chegue.

15 fevereiro, 2016

DIA DOS NAMORADOS

Mais um dia dos namorados que passou e mais um dia em que o piccolo se esmerou. Como o quiero tanto!
No dia anterior (sábado) não estive nada bem por causa da entrevista que tive na sexta no rectorat onde a senhora nem foi com a entrevista até ao fim (que nem vou detalhar). Então, se não estava bem, pus o piccolo também meio aborrecido. O que não gosto nada, porque aquilo que preciso nestes momentos é de ânimo.
Mas pronto.
No domingo, dia dos namorados, fomos ao mercado de Versailles comprar massa em forma de coração e manga para o almoço e lagosta e bolo de chocolate para o jantar. Muito lindo!

À tarde vimos um episódio de Breaking Bad (em italiano) e trocamos as prendinhas. Eu dei-lhe aquilo que lhe devia ter dado no início de dezembro: a pen dentro de um frasquinho. Ele deu-me um coração para a pandora. Não contive as lágrimas. Always in my heart dizia de um lado. 
E por ficar assim tão frágil, não quis ver o vídeo, que estava na pen, com ele.
Ele viu-o hoje e já me mandou mensagem. Não sei se gostou mesmo ou se ficou um pouco indiferente. Quando estiver com ele verei melhor a reação. 
À noite, noite de lingerie, claro.
Foi um dia normal. Mas pensando agora no dia, só posso pensar em como tenho um namorado que tanto gosto e que trata tão bem. E que sou tantas vezes injusta com ele (como quando me enervo com alguma coisa e descarrego nele sem dó).

Como o amo!

05 janeiro, 2016

PARIS, TRABALHO E PICCOLO

Primeiro texto do ano. E não começa bem.
Segundo dia de aulas. 
Fiquei na lista dos excluídos na candidatura para professores de português no estrangeiro. Há sempre alguma coisa que não está bem. Desta vez não enviei os diplomas de inglês e espanhol. E enganei-me numa opção em relação à minha situação profissional atual. Que mania de não perguntar e querer fazer sozinha. Sim, mas isto não é só culpa minha. O facto das pessoas serem cada vez mais por si, faz com que eu nem sequer ouse fazer perguntas, adivinhando logo a resposta. Tenho de começar a pensar que nem sempre é assim e ainda menos numa situação desta onde há pessoas postas à disposição precisamente para tirar dúvidas. 
Agora tenho de saber se o jardim de infância onde trabalho está interessado em me contratar para o próximo ano letivo. Melhor do que em part-time como professora de português.
Já chorei hoje. Saber isso da candidatura EPE, mais o facto do meu piccolo não estar cá esta semana e ainda mais por estar completamente sozinha nesta cidade. A colega de casa ainda só lhe disse praticamente bom dia de manhã e boa noite à noite desde sábado. Cada uma tem o seu quarto e não há cá que incomodar os outros.
Cheguei sábado e à parte o local de trabalho, praticamente não falei com ninguém por mais de dois minutos. E mesmo no trabalho é triste ter de falar só com os alunos que têm metade da minha idade. (no jardim de infância ainda me vou safando com alguns adultos, bah. É o que vale).
Ainda na semana passada estava a partir-me a rir e esta semana já pareço outra pessoa. Como uma cidade pode mudar as pessoas. Como é verdade dizer "Em Roma sê romano". E como é verdade ter mesmo de o ser para não fugir aos hábitos comuns da sociedade.


O A. esteve em minha casa na passagem de ano. Conheceu toda a família. Os primos falaram muito com ele mas o que valeu foi que algumas coisas eram em português. Têm uma conversa muito porca, estes meus primos. Ainda não sei se gostou ou se levou a mal certas coisas. Ainda mal falei com ele depois disso. No primeiro dia do ano arrependi-me logo de o ter apresentado à família. O rapaz às vezes é tão distante que eu não sei em que é que ele está a pensar e ele também não diz. Primeiro não é nada, depois inventa qualquer coisas para me calar. Mas aí ainda é pior porque se contradiz. Enfim! Às vezes tenho vontade de acabar com esta relação devido a estas situações que me deixam insegura. Mas depois penso no quão homem da minha vida ele é. Quero que ele venha rápido e quero que ele esteja sempre comigo. Sozinha é que eu não posso estar nesta cidade.

27 dezembro, 2015

NATAL EM CASA DO PICCOLO

Já há alguns dias que cheguei de Itália, por isso não sei se a precisão vai ser a mesma.
Cheguei a Roma na sexta à noite (18 de dezembro) e foram os pais dele que nos foram buscar ao aeroporto. Já tinha estado com eles. Não ia ser o primeiro encontro, mas estava um bocado "coisa". Não falo italiano e conheço a mãe dele: ela fala muito e está muito à vontade comigo. Por isso, isso punha-me mais sem jeito.
Encontramo-los e lá nos cumprimentamos. A mãe dele até me queria cumprimentar primeiro que ao filho. Mas deixei-o estar à minha frente para não o fazer. A mãe sempre sorridente e bem disposta. O pai com um sorriso simpático mas mais calmo (como da última vez). Entramos no carro e comemos pão com mortadela. Que saudades que eu tinha deste cheiro. Não falei muito na viagem. Acho que a vergonha começou a chegar. A viagem foi longa e ainda dormi um bocado. Que soneira!
Ainda no carro e já na vila dele (sem eu saber que já o era), a mãe faz a piada da praça da Concordia, do Arco de Triunfo, da Catedral Notre Dame e de Montmartre à medida que passávamos em certas partes da vila (numa praça, num arco de flores, numa igreja e no topo da vila). Ri-me, sem ter nada para dizer.
Chegamos a casa dele e os avós esperavam-nos. Conheci-os e cumprimentei-os. Muito simpáticos e faladores logo num primeiro contacto.

Sábado combinamos ir à praia. Gaeta. Saímos de casa já à hora de almoço. Passamos em Terracina para almoçarmos num restaurante perto da praia (praça da República) e todos os pratos foram de peixe. Estava bom mas aqueles peixes fritos deixaram-me a arrotar o dia todo. Claro que não disse isso ao meu pequeno, para ele não ficar triste..
Subimos ao monte mais alto desta cidade e tiramos fotos. Paisagem muito bonita com o sol a bater na água do mar... Seguimos para Gaeta. Paramos pelo caminho para tirarmos fotos com o pôr do sol. Em Gaeta íamos ver umas supostas escadas que descem numa falésia até ao mar mas não foi bem isto que encontramos. Realmente descemos as tais escadas mas que nos obrigavam a subir mais à frente. Conclusão: ficamos numa parte alta entre duas falésias a ver o mar. É bonito mas não víamos grande coisa, uma vez que as falésias eram muito altas e tapavam a vista toda. Mas tenho fotos =)
Voltamos para casa e à noite saímos até uns bares numa cidade perto de casa dele (Alatri). Conheci uns amigos dele e ainda me ri com eles. Um deles, segundo o piccolo, era bom para a Célia. Ele ficou interessado (mesmo sem a conhecer) e começou a fazer perguntas sobre ela. Pois, ela só fala português... Nada feito.
Outro, quando me conheceu e soube que eu era a namorada, disse: "Ah, finalmente que a conheço." Gostei de ouvir, claro. Toda contente, a rapariga. E perguntou ao A. se eu estava a ficar em casa dele. Ele disse-lhe que sim ao que o amigo responde: "Então a tua mãe deve estar toda contente!" Eu ainda fiquei mais contente =)
Entretanto passa um amigo dele e faz-lhe uma festa quando o vê. O A. apresenta-mo ao que ele diz "Namorada? Mas quê, é a última?" Desta é que eu não gostei. Ok, faz de conta que não percebes. Depois mandas a boca na melhor oportunidade. O piccolo continua a rir como se ele não tivesse dito nada de mais.
Mais tarde pede ao tal suposto futuro da Célia para lhe puxar o dedo (estava mal da barriga, o rapaz). Ele não percebe mas o A. explica-lhe. Todos se riem e o loiro, que se chama Matteo, pergunta/afirma: não fazes isso com a tua namorada?!
"Como non?" responde o meu pequeno. Que fofinho!
Fiquei contente por conhecer muitos amigos dele. Foram só quatro, mas para ser só numa noite e praticamente sem combinar com ninguém, são muitos.

Domingo, dia de almoço em família. Levantamo-nos cedo e fomos a Fumone ver o castelo com uma lenda de que existem fantasmas. A história é bonita e há duas histórias diferentes para o mito da existência de fantasmas neste castelo. O primeiro é de um antipapa que é posto numa cela muito pequena e que acaba por morrer. O segundo é o filho dos reis (que agora não me lembro dos nomes) que é envenenado pelas sete irmãs mais velhas. A mãe não o sabe e guarda-o num armário com esperança que ele um dia ainda volte.
Almoçamos em casa dos avós. Nossa... Comi tanto. Primeiro prato: gnocchi com molho de tomate e carne de vitela e ovelha (não tenho a certeza). Segundo prato: não me lembro. Sobremesa: bolos - pandoro de chocolate, panetone - e fruta. No fim café. Estava que nem podia. Estava-me a sentir mesmo mal. À tarde fomos até à montanha e as curvas ainda me punham pior. Fez-me bem mexer um bocadinho mas já me sentia como no Natal. Credo!
Na montanha, vimos o pôr do sol e paisagens wow! Que lindo. Como se fossem desenhos. Montanhas redondas com um bocado de nevoeiro a passar-lhes por cima... Mesmo lindo. Tenho fotos.
À noite deveria ser uma noite mais tranquila mas havia um jantar de final de curso de um filho de uma amiga da sogra. Vai tudo ao jantar. Ponho-me todo bonita com a camisola branca de malha que o piccolo me deu e os saltos altos. No jantar conheci a mãe da Alessandra e da Giovanna. O finalista foi o último a chegar e o primeiro a ir embora. Houve uma altura que eu pensei que ele tinha ido à casa de banho. Começam todos a comer o bolo sem esperar por ele e penso "ninguém espera pela personagem principal?" No final do jantar o A. diz-me que ele já se tinha ido embora. Recebemos prendinhas: amêndoas de chocolate e dois frasquinhos com aroma a lavanda e a pimentos. No final do jantar, eu e o A. vamos ver a praça da cidade (Fiuggi).

Segunda feira é dia de dormir até tarde. Os últimos dias foram cansativos e estava mesmo a precisar. Saímos ao final da manhã (acho eu) e levamos pão de pizza com queijo e fiambre. Fomos novamente até à montanha fazer uma caminhada. Como são lindas as vistas. A mesma paisagem do dia anterior mas com mais tempo para apreciar. Tendo em conta que esta zona tem forma circular, nós fizemos meio círculo (ou talvez um pouco mais) no ponto mais alto, ou seja, com direito a vistas diferentes e bonitas. Também tivemos direito a um pouco de neve. Fui com os meus sapatos com sola mais alta. Parti um bocado de uma sola porque não foram feitos para caminhadas e caminhar com estes sapatos na terra dura da montanha não é nada agradável. Uma boa razão para não voltar a pegar nelas. Tiramos muitas fotos. Na descida, passamos em casa dele para ele pegar no computador e ir mandar arranjá-lo. Era suposto irmos até um lago que se podia avistar da montanha mas eu estava muito cansada para isso e ele disse que não tinha nada à volta onde pudéssemos passear. Era o lago e já está. Mais nada. Disse-lhe então que não fazia mal e que também já era tarde (ficamos muito tempo na loja dos computadores). Mas o menino gosta pouco de ir para casa cedo... Nahhh, ele estava era todo contente comigo lá. Mostrava-me tudo, falava de tudo. Em Paris não fala ele assim. Via-se mesmo que estava feliz. E eu estava feliz por vê-lo assim. Em vez de ir para casa fomos a outra vilazinha perto de casa dele que se chama Vico. Uma vilazinha mesmo fofinha. Não estava rodeada de muralhas mas as casas fechavam o espaço e só havia uma entrada. Eram ruínhas que subiam e desciam, em paralelo, com umas casinhas pequeninas, outras maiores, onde se podiam ouvir vozes de pessoas, da televisão ou simplesmente ver as luzes do interior das casas... Muito aconchegante. Claro que ninguém leva ali uma vida, mas para ter paz, não há melhor.
Voltamos para casa e voltamos a jantar nos avós. Primeiro prato: polenta. Segundo prato: Bufala Sobremesa: bolo de nozes e tâmaras e fruta. Eles falavam tanto... Nossa. Cheguei a uma altura que me começou a doer a cabeça e então deliguei um pouquinho. Não percebia e não.... por isso o esforço era desnecessário.
Quando fomos para casa, entrei no facebook para meter uma foto que tinha tirado na montanha. E para isso tive de a enviar para o meu email, entrar no tablet dele, entrar no meu email, descarregá-la e ir busca-las às imagens. E começa aqui a história que quero contar.
O menino tinha uma foto tirada como printscreen no Skype. A foto estava escura e por isso não dava muito bem para ver a cara da rapariga. Já vai ouvir. Entra no quarto, põe-se ao meu lado e vê-me a pôr a foto na net. Vou às imagens e apago a minha foto. Deitamo-nos e digo-lhe:
- Não gostei duma foto que vi no teu Ipad. Mas pronto.
Não ouve. Como não voltei a repetir, pergunta:
- Quê? Não percebi.
Faz sempre isso. Ouve sons saídos da minha boca e não está atento ao que digo. E só quando me calo e ele acha que é suposto responder alguma coisa é que pergunta pelo que eu disse.
- Não gostei duma foto que vi no teu Ipad.
- Que foto?
Pega no Ipad, acende a luz, vais às imagens. Mostro-lhe a foto. Diz-me que já a tinha visto. Sim, tinha visto outras mais acima (mais antigas) mas esta do Skype não. Ou pelo menos não me lembro. Supostamente era a mesma amiga que estava em cima e foi antes de nos conhecermos.
- E porque é que tiraste uma foto com ela no Skype? Ou porque é que fizeste Skype com ela?
- Era para experimentar tirar foto ao que aparece no ecrã.
Depois esteve para lá a explicar que era carregar em dois botões ao mesmo tempo.
- Ok.
Desligamos a luz. Não disse mais nada. Com as mãos, ele procura-me os olhos. Ele sabe que eu sou uma chorona. Mas desta vez não teve sorte. Apesar de triste, não tinha vontade de chorar.
- Hey! O que foi? Já te expliquei. Aquelas fotos estão ali há muito. Daniela! Não estou a perceber.
Fiquei um bocado calado e depois:
- Não sei se foi impressão minha. O teu amigo David perguntou no sábado se eu era a última namorada.
- Oh, O David só diz merda. - disse imediatamente como se estivesse à espera que eu o fosse dizer. - Ele faz isso a toda a gente. Diz coisas sem pensar. O Marco (um amigo dele) até já ficou sem falar com ele algum tempo por causa de uma rapariga porque ele está sempre a mandar bocas. Ele diz as coisas sempre nos momentos em que não as deve dizer. Ele é assim.
- Hum. Mas ao dizer aquilo deu a sensação que tu andas aí a colecionar namoradas.
- Oh Daniela. Olha, se queres saber, tu foste a primeira namorada que ele conheceu. Donc déjà n'y a pas de sense à ce qu'il a dit.
Fiquei calada.
- Mas tu acreditas mais nele que não o conheces do que em mim.
- Não. Eu acredito em ti. Só te estou a falar disto porque ele o disse e eu não gostei.
- En plus, tu es la première copine a venir chez moi.
- Mais non.
- Dormir oui.
Fiquei calada. E não contive as lágrimas. Estar ali a dormir ao lado dele, com os pais a dormir no quarto ao lado, a ser tão bem tratada por todos, amei-o ainda mais. E não consegui dizer nada. Beijei-o na cara e fomos mudando de conversa. Fiquei tão feliz. Quando me disse "boa noite" passou-me a mão na cara e sentiu-a molhada.
- Tu pleures? Tu sues tellement que je ne sais pas si tu pleures ou si tu sues.
Ri-me.

Terça feira levantamo-nos às 6h da manhã. Primeiro que o pai. A mãe já estava a pé mas porque acorda cedo.
Levei o bolo de nozes e tâmaras num tupperware - que sogra mais simpática - mais as amêndoas do domingo. As que levava a mais eram para as minhas irmãs, segundo a mãe dele. Os avós também já estavam a pé e despedi-me de todos. Todos estavam pendurados na varanda a acenar na despedida. Que queridos.
Chegamos ao aeroporto numa hora e meia. O A. entrou no estacionamento e ainda tínhamos 2h para o fecho das portas. Ficamos ali a conversar. Depois levou-me lá dentro, despedimo-nos (7 dias sem nos vermos) e entrei no controlo de metais.
Um aparte. Talvez seja esta história toda dos atentados mas o homem que estava à minha frente na fila para o avião tinha ar de terrorista e fiquei mesmo com medo. Até mandei mensagem ao meu pequeno "Gosto muito de ti. Para o caso do avião não chegar". Chegou.

Resumo destes 3/4 dias:
Fui muito bem recebida. Senti que todos gostaram de mim, mesmo pessoas que não eram da família, como as amigas da mãe. A mãe dele abraçava-me e dizia-me: Dániééééé, bella. E outras coisas mais que eu não percebia. A mãe dele apreciava-me quando eu estava a comer. O pai não me deixava acabar de comer e já me estava a propor mais. Não, por favor. Já comi muito. Adorei, adorei, adorei. O avô falava-me de Portugal, das laranjas com este nome, dos portugueses em Roma que não pagavam e de um rei italiano que foi enviado para Portugal por se portar mal em Itália (pormenores desta história é que eu não sei)

Agora é a vez dele. E só quero que tenha a mesma ou melhor hospitalidade que eu tive em casa dele.

31 julho, 2015

NÓS TAMBÉM DISCUTIMOS

Na segunda feira passada discuti com o príncipe (hoje é sexta).
Estou a "viver" em casa dele desde o dia 21 deste mês (hoje é o último) porque o meu quarto está "ocupado" e por isso passo uma parte do tempo a jogar no IPad dele.
Como ia a dizer, na passada segunda entrei (coisa que normalmente não faço) no meu facebook através do IPad dele. Tinha o facebook dele aberto (coisa que normalmente não está). Não dessas coisas mas a ex namorada dele perturba-me e entrei nas mensagens dele só para ver se tinha conversas com ela. Ora tinha, claro. Era pra aí a 4ª conversa (não muito antiga, portanto).
Entrei e a última conversa tinha sido no dia 9 de julho (um dia antes de ir a Lisboa ter comigo) da parte dele a perguntar-lhe algo do doutoramento dela. Li as mensagens mais antigas e não tinha nada de especial. Ele a dizer que estava em Paris, ela a dizer que estava em Trieste, ele a dizer para ela tirar umas fotos à cidade, ela a dizer que não tinha máquina, ele a dizer para o fazer com o telemóvel.

Fiquei doente. Tão mal que não tinha vontade de chorar. Estava dura. "Vou enfrentá-lo, vou ter de lhe pedir justificações"

Ele chegou a casa e comecei a disparar muito calmamente. Ele ainda se fez desentendido mas não valia a pena. As evidências estavam lá. Disse que sim, que falava com ela, mas só para saber se ela estava bem. E que não via mal nenhum nisso. 
"Não há mal nenhum, Mas há uns meses atrás falamos sobre este tema e disseste-me que já não falavas com ela desde dezembro não-sei-de-que-ano. Tem aí conversas de agosto do ano passado. E o problema é que me mentiste"

A conversa continuou por 1h30 (mais coisa menos coisa). Disse-lhe que ainda não estava convencida e que isto só me ia fazer não acreditar nele. E terminei a dizer que ele me magoava. Vi um lágrima a crescer-lhe no olho e a dizer-lhe "Não digas isso, não é verdade." E abraçou-me.

Lá fomos fazer o jantar. Noix de St Jacques na conchinha.
E pronto, no dia seguinte de manhã voltamos a conversar sobre isso e voltei a chorar. Ele tranquilizou-me e a verdade é que fiquei melhor com o que me disse. Mas cá para nós, ela ainda não está completamente esquecida (por mim e por ele)

01 julho, 2015

MILANO --------- OLÁ PAPÁS DO PRÍNCIPE

Passamos o fim de semana em Milão. Já lá tinha estado embora à noite e com direito a visita apenas à Catedral e ao Duomo. A impressão da cidade foi a mesma. É feia e cinzenta. Para além da cidade e do Duomo, tem o Castelo a visitar e ficamos por aqui. Esteve muuuuito calor. Fomos à Expo e andei muuuuito. Até me doeram o fundo das costas e as coxas. Comemos italiano e visitamos vários stands de vários países. Fiquei morta. O domingo foi para descansar. Apanhamos o voo ao final da tarde e enfim em casa (não é que me importasse de ficar. Paris é sempre aquele ambiente estranho)

Os pais do piccolo chegaram no mesmo dia mas um pouco antes. Despedi-me dele quando cheguei a casa e mais tarde convidou-me por SMS para jantar com os pais no dia seguinte (que acho que foram os pais que propuseram).

Segunda feira, 29 de junho de 2015, conheci oficialmente os pais do príncipe. Oficial ou não, conheci-os.
Não sabia o que me esperava. Além disse havia o entrave da língua e disse ao A. que estava com um pouco de vergonha. Ele disse que era normal mas não adiantou muito mais.
Fomos de carro ter com eles ao hotel onde estavam. Quando chegamos já lá estavam os dois à nossa espera, E com um sorrisão nos lábios. Pelo menos a mãe sim. [Que vergonha]
A mãe dele começa logo a falar pelos cotovelos, toda simpática. Entre perguntar-me se o A. é um bom professor de italiano, ao qual respondi não, e... não sei mais o quê, a senhora falou sempre.
Entramos no carro, e ficamos as duas no banco de trás. direção pizzaria italiana.
"Alora, Daniela" com o seu sotaquezinho italiano. "Que contas?"
Bom, não vou tar aqui a dizer tudo que ela disse até porque não sei qual é a ordem. E a certa altura este texto vai deixar de fazer sentido.
Quando não percebia alguma coisa pedia ajuda ao A. e lá nos íamos entendendo.
Chegados ao restaurante, sentamo-nos e a mãe dele pega num saco e entrega-mo.
"Daniela, é uma prenda para ti"
Como assim? Fiquei logo sem jeito. Acaba de me conhecer. E além disso, porquê? Não faço anos, não arranjei trabalho, sei lá. Tipo, olho para o A. para tentar perceber ou para ver se ele dizia algo e me ajudava com a situação. Nada. Tem um sorriso levezinho nos lábios.
Era um saco da Pandora. Fácil de adivinhar o que estava dentro. Duas pedras azuis, uma máquina fotográfica, uma mala de viagem e um golfinho ao centro. Lindo. Adorei. Agradeci aos dois, pai e mãe, e queria ter sido mais convicta porque amei a prendinha. Mas o meu italiano ainda não é bom.

Comemos as entradas: tomates, pão tostado, corgetes, pimentos. Depois a piza.
Fomos falando, sim a senhora não ficou um minuto calada. E sempre a rir. Parece, ou nota-se, que é uma pessoa feliz. Perguntou-me o que fazia em Paris e disse que também era professora.
"O A. tem um irmão. E tu?" Lá lhe falei das irmãs e dos pais que estão em Portugal.
"Os pais têm saudades?"
"Sofrem muito com a distância da filha?"
"Pois, é difícil. Eu sei o que é"

O pai perguntou-me a idade do meu pai. O A. não ajudava mas lá me consegui fazer entender ao fim de algum tempo.

Terminamos o jantar e fomos para casa. Pelo caminho a estrada estava cortada e mudamos de direção. Não sei por onde andei mas via pelo espelho que o A. não estava contente. O pai lá lhe berrou que estava a andar muito depressa. Se é coisa que não acho é que o piccolo conduz depressa. Aliás, se o fizesse era a primeira a dizê-lo. Não concordei muito com o pai mas pronto.
Entretanto o pai fez-me uma pergunta em que percebi 'Portugal' e 'sempre' mas não consegui perceber o que ele me perguntou ao certo. Disse-lhe que não percebi e o pai pede ao A. para traduzir. Ele não responde. Não diz uma única palavra. E vejo pelo espelho que não está a achar piada à conversa ou sei lá ao quê.
Então o pai diz-me com uma voz mais forte:
"Daniela, tens de aprender italiano para nos entendermos porque o A. não traduz nada."

Fiquei um pouco triste. Acabei por não saber o que me perguntou e depois de nos despedirmos deles, não lhe perguntei nada porque vi que ele estava um pouco nervoso.
Só deu um suspiro e disse: Não é fácil!
- O quê?
- Os meus pais
- Oh, não digas isso.
- Então não é? Principalmente o meu pai. Viste o que ele disse pela minha condução.

Não respondi. Hoje vou estar com ele. Vou despedir-me porque amanhã vou para terras lusas. E vou tentar puxar conversa dos pais e dizer-lhe que ele não foi muito simpático naquele dia.

Os pais telefonam-lhe todos os dias. E normalmente duas chamadas, porque o facto de a mãe ligar, não quer dizer que a parte do pai já esteja feita. Ele telefona também. E por isso mesmo, achei que eles tivessem uma relação mais próxima e amigável. Afinal não é bem assim.


*Lembrei-me de mais conversas que tivemos. Logo no 1º contacto, quando nos encontranmos ao pé do hotel, ela falou do calor que estava. "O A. diz-me sempre que aqui está frio, que está frio. Nós chegamos e está este calor." Sempre a rir
Já no restaurant, e depois de falar, falar, falar e rir, rir, rir, perguntou-me se eu a imaginava assim, tola e que só dizia asneiras. Ri-me e disse que não tinha propriamente pensado. Meio que menti. Cheguei a tentar imaginar como ela poderia ser mas, não sei porquê,  não conseguia imaginar. Mas não, assim não a imaginava. Um pouco mais séria, penso eu.
Entretanto diz-me também que está muito contente por estarmos ali todos juntos e por me conhecer. "Tu és uma bella ragazza, simpatico, calma."
"Grazie" dizia-lhe eu toda convencida.
"És uma pessoa calma, não és? Não és nervosa?!"
"Hmm mais ou menos"
"O A. é mais nervoso, não é?"
"Hmm, não muito. Talvez agora por causa do doutoramento."

Não sei o que quis dizer, mas talvez venha à baila a mesma história da relação dele com os pais. Talvez seja mais nervoso em casa do que quando está comigo. Bem, comigo ele nem é nervoso, só mesmo nesta altura por causa do tanto trabalho que tem. Vou tirar as dúvidas se um dia for a casa dele.

25 junho, 2015

PICCOLO

Nossa,  há tanto tempo que não venho aqui.
E não há grande coisa a dizer, à parte a busca intensa de trabalho e o stress de esperar por respostas que não chegam.

Vou falar um bocadinho do piccolo. Estamos bem. Amanhã até vamos à exposição de Milão e ficamos lá o fim de semana. Acho que é a primeira vez que vou andar de avião com ele. Afinal não acho. É mesmo a primeira vez. 
Mas tenho medo que a nossa relação esteja a cair na rotina. Não vivemos juntos mas às vezes parece. E às vezes dou por nós concentrados na tecnologia. Cada um com o seu telemóvel, Ipad ou computador, no mesmo espaço da casa, e não conversamos. Já lhe disse uma vez que quando estivermos juntos, a tecnologia não entra. Tenho de levar isso mais a sério. 
Além disso, sinto falta daqueles primeiros tempos, quando nos conhecemos e tudo era mágico. A forma como ele me olhava. Havia tanto amor naquele olhar. A forma como me dava carinho. Os abraços que me dava a toda a hora. As coisas bonitas que me dizia. Era tão lindo! E lembro-me de pensar que só podia estar a viver um sonho e que não podia pedir mais que isso. Agora isso já não acontece. A rotina, lá está! Também sei que se lhe falar, ele vai mudar e tentar ser o príncipe que era antes. 
A tese que ele está a fazer ocupa-lhe muito tempo e sei que pode servir de desculpa. Compreendo-o. Mas é aquela coisa, não sei. Sinto que sou eu que o elogio em tudo e acho que ele se habituou um bocado a isso.

04 maio, 2015

PARABÉNS PRÍNCIPE

E os anos do meu príncipe já passaram. E não pude vir atualizar o blog mais cedo.
Então assim resumidamente, oferecei-lhe o primeiro presente à meia noite: um polo (falta de originalidade). Ofereci-lhe o segundo no dia seguinte de manhã: uma caneca personalizada feita por mim e o bolo de morango também feito por mim. Para quem tinha deitado um bolo inteiro fora no dia antes, este até estava bom =)
Ofereci-lhe o terceiro presente nesse dia à noite. Estava cheia de vergonha e o meu coração batia a 100 à hora. Até ele notou. Mas compensou. Depois disse-me: adorei o presente de aniversário.
Claro que se referia ao terceiro. Estava-se nas tintas para os outros ;)

Durante o dia fomos até uma abadia no norte de Paris (leia-se com sotaque americano) Foi uma tarde simples até porque estava frio e ainda caíram umas pingas. Mas foi bom. Estar com ele é sempre bom,
O resto do fim de semana estivemos (quase) sempre juntinhos (tive explicações no sábado). No domingo fomos ao mercado comprar peixe para o almoço e vieiras para o jantar (aHa, quem sabe o que são vieiras? Eu não sabia o nome dessas conchinhas de Santiago de Compostela). Delicioso, mas mesmo delicioso. Vou-me casar com este homem. Não, não é porque ele cozinha bem mas disse-o vários vezes. Apesar de eu não ser nenhuma mestre de cozinha, põe a minha comida 50 vezes abaixo de zero. 
Disse-lhe que o amava. E adoro dizê-lo. É um alívio. Como se a partir daquelas palavras tudo fica bem. Adoro! Adoro ele. Adoro estar com ele. Pronto, já estou a divagar.

E com isto vou criar uma nova página no blog com as coisas bonitas que ele faz, as atitudes que eu gosto nele e as coisas que gosto de ouvir. 
Por exemplo, fico com muitos ciúmes de outras mulheres mas depois de falarmos ele dá-me tanta confiança que não dá para desconfiar. "Porque é que tens esses fantasmas na cabeça?" Disse-me ele no domingo.

E adoro-o, pronto! 

25 março, 2015

O MEU PRÍNCIPE

Porque ele é um príncipe. Ontem provou-o em muitas situações.

Comecemos pelo princípio. Uma curiosidade. Não sei o que estava a fazer no dia 24 de março de 2014 (provavelmente no trabalho) mas no dia 24 de março de 2013 estava em Valência e passei o dia na cama (sei porque é o aniversário de Chang). 

Dois anos depois igual: passo a tarde e a noite toda na cama. Só que desta vez com dores. E tudo porque quis mostrar o meu lado bom de animadora que sou e saltar à corda na escola. Dei um jeito no pescoço e nas costas que até vi estrelas. Fui sentar-me e apercebi-me que não era passageiro. Estava como que bloqueada. Tinha de virar a cabeça com a mão porque não conseguia fazê-lo de outra maneira. Fiquei a pensar se não tinha nada partido porque a cabeça tombava para a frente. E umas dores enormes. Ainda me queixei (desabafo) a uma outra animadora mas as pessoas aqui são tão queridas que ela só falava na hora de ir embora e que tem estado mais frio. E que o miúdo autista bateu a uma miúda. Enfim. Faltavam uns vinte minutos para me vir embora que pareceram horas. Vim para casa de autocarro e um pouco a pé, ainda hoje sem saber como. Que dores! E para me levantar do autocarro. Como as velhas. Nem sei como. Ainda na escola queixei-me ao A. 

Entrei em casa e cama. Nem pijama meti. Só tirei as botas e pimba. Não me conseguia mexer. Passei lá a tarde toda. Queria ao menos ver uma série mas não me conseguia levantar. Aproveitei para ligar a toda a gente. Li um bocado mas a posição não era a melhor. Bref!

À noite o meu pequeno vem ter comigo e foram só miminhos.
Ia começar a cozinhar (porque eu não era capaz) quando me ouviu a queixar sozinha. Não me deixou mais. Dizia que não ia para a cozinha se eu estivesse mal. Trouxe-me uma pomada para as dores musculares. Esfregou-a nas minhas costas. Fez umas massagens leves nas costas. Ajudou-me a sair da cama. Ajudou-me a mudar de posição. Pôs-me água quente nas costas. Queria ajudar-me a comer (mas aí não foi preciso). Um príncipe que eu tenho.

Depois o problema era outro. Precisava de ir a Paris levantar o diploma de língua até ao final da semana e não tinha condições para isso. Ele disponibilizou-se a ir de metro no dia seguinte (mesmo se não percebe nada de metro) e voltar a minha casa para pegar no carro e ir para o trabalho. Andou perdido nas linhas do metro, como eu já previa.

À noite antes de dormir, tira tudo que estava em cima do sofá. "Que tás a fazer? Deixa isso agora." Ele continua, senta-se no safá e põe o edredon por cima dele. Comecei-me a rir. "Não vais dormir aí?! tás a brincar!"
"Ah e tal porque tens muitas dores, porque não te consegues mexer, porque não vais dormir confortável."
"Exatamente por isso. Não me consigo mexer. Deito-me assim e não me mexo mais. Anda lá, anda para aqui."
Deixou de responder. Apagou a luz e disse-me boa noite. Chorei! Chorei! Como é lindo. Dormiu sentado!!!!!!! Sentado, o meu pequeno.
Dormi super mal. Virava-me para um lado, Virava-me para o outro. De costas, De barriga. E tudo isto em câmara lenta e com dores. A meio da noite meti os tampões nos ouvidos porque o relógio me estava a irritar. De manhã ele acorda, sai de casa e eu não me apercebo de nada. Benditos tampões.

Hoje vem-me dar um beijinho e amanhã vai para Itália por 10 dias. Já estou com saudades.

Para lhe agradecer (porque me sinto um pouco desconfortável com tudo o que fez por mim) comprei uns pastéis de nata, que eu sei que ele gosta, e uma bola de berlim. Agora é só esperar que ele chegue.

Eu sei, isto é só 10% do agradecimento.

18 março, 2015

UM SÓ SENTIMENTO

Particularmente triste nos últimos dias, ou mesmo semanas. E se penso muito nisso choro, por isso nem vou pensar.

Na semana passada passei-me com uma miúda na cantina da escola, agarrei-a pelo braço e empurrei-a contra a parede, de tão mal educada que ela é. Começou a dizer que eu lhe bati, não sei quê, ... Vi a minha vida a andar para trás. Ainda por cima por ser uma rapariga que não se deixa ficar. Não lhe bati mas toquei-lhe. E no mundo atual, fazer isso numa escola é caso para ir para a televisão e ser despedida a seguir com direito a não trabalhar mais nas escolas. Tentei falar com ela mas recusou. Fui falar com a diretora e, ufa!, ela livrou-me. Defendeu-me e disse que não exagerei em nada. Que sabe que há sempre problemas com ela. Toma lá para aprenderes (árabe de merda).

Insegura em relação ao meu pequeno (como sempre). Medo que um dia tenha de ser obrigada a esquecê-lo. Isso sim, é um dos maiores motivos que me faz ficar muito triste. E o facto de saber que ele troca emails com a ex dele também não ajuda. Tenho de falar com ele sobre isto ou as minhas noites de sono não vão ser as mesmas.

Não tenho trabalho fixo e canso-me mais do que se tivesse. Andar de um lado para outro, muda de linha aqui, muda de metro ali, entra no autocarro acolá esgota-me.

Não tenho amigos aqui. A única pessoa que tenho é mesmo o meu homem. (a família e a colega de casa não contam). E sim, amizade é mais importante que amor. Concluí isto em Valência, quando estava rodeada de amigos.

E pronto, é isto que me faz sentir triste. Já é muita coisa.

25 janeiro, 2015

A VIDA DE EMIGRANTE

Tenho 105 € (e uns cêntimos) na conta e menos de 0.20€ na carteira. Acho que nunca me senti tão pobre.
Vou ter dinheiro para pagar a renda no início de fevereiro? Vou, se todos os meus empregadores me pagarem antes do fim do mês.



Atenção: dei estes pormenores de dinheiro porque supostamente este é um blog anónimo. E mais do que isso, este é um blog sem leitores (ou leitores dos mais variados países, excluindo Portugal).

04 janeiro, 2015

E O ANO DE 2014 FOI...

...o pior da minha vida.
Nem o ano após terminar o curso conseguiu ser tão mau.
Chorei, chorei. O ano em que mais chorei. 

E foi logo em janeiro. Estava a estagiar em Chambéry e não fosse eu prolongar o período de assistência, o contrato terminaria no dia 12. Pensei muitas vezes o porquê de o prolongar. Ia para a escola e servia para nada. Dava 2 ou 4h de aulas por semana e o resto das horas assistia simplesmente às aulas. Falei com a diretora, consegui reduzir um pouco ao meu horário (já que não ia para a escola fazer nada) e comecei a dar aulas também de inglês. A coisa melhorou. 

Fevereiro até foi mais ou menos. Também é mais curtinho. Mês da visita dos primos e mês de ir para a neve.

Março. Ainda não era contagem decrescente da minha estadia nessa cidade mas já começava a pensar o que fazer depois. Afinal apercebi-me de que gostava mesmo do A.

Abril. Chorar todos os dias. Aqui já era a contagem decrescente. Estive todos os dias com o namorado e, fora uma ou duas noites, dormimos sempre juntos. Lembro-me de rir de felicidade quando o abraçava que se transformava de imediato em choro. Final do mês decidimos continuar à distância.

Maio. Para quem estava habituada a estar todos os dias com ele, não o ver (e mesmo ouvir) durante dias foi horrível. Consequência? A Dxani chorava de manhã até à noite. Final do mês não aguentei e disse que queria parar com a relação. Estava à espera que ele contradissesse mas não o fez. Até porque eu disse-lhe decidida que queria terminar. O rapaz não teve escolha. Mesmo assim continuamos a falar como dois namorados. As únicas coisas que não dizíamos era "tenho saudades tuas" e "gosto de ti".

Junho. O mês em que não tive namorado mas reagia como se tivesse. Contava-lhe o meu dia. Ele contava-me o dia dele. Final do mês (mesmo mesmo no final) ele foi a Portugal. Pronto. Fizemos as pazes. Uma semana feliz. Outra vez namorados.

Julho. Mais uma mês de degredo. Não tinha muita coisa para fazer. Ainda dei umas explicações. Tirei o CAPPLE no Porto. Final do mês o tio que está em Paris arranjou uma cunha e fui a uma entrevista. Fiquei. Comecei a trabalhar 2 dias depois.

Agosto. Supostamente podia estar com o meu pequeno mais vezes visto que estávamos na mesma cidade. Mas não foi isso que aconteceu. Como estava a viver em casa dos tios, a liberdade acabou-se. Final do trabalho, casa. Ao domingo? Podia mas esse dia é para estar em família e em casa. Propus sair? Sim, mas percebi que não gostavam da ideia. Ainda fui uma vez com o primo mas senti que foi só para me fazer a vontade. Deixei de pedir e a viver enclausurada. Os tios foram a Portugal a meio do mês e aí aproveitei para estar o máximo de tempo com ele. Até porque depois mudei de casa e a liberdade era outra. Estive algumas vezes mas sentia-o distante. Pensava se ele gostava da ideia de eu ter ido ter com ele.

Setembro. Quando achava que o meu trabalho era assim-assim, neste mês tive a certeza que odiava. Mas o que podia eu fazer? Precisava de dinheiro. Quase chorei quando a gerente me disse que não podia tirar férias no Natal. Depois chorei que me fartei em casa. Trabalhar em algo que não gosto e impedirem-me de estar com a minha família numa altura que adoro. Ficar completamente sozinha em Paris? Mas o que é que estou aqui a fazer? No início do mês saíram candidaturas para a minha área para a zona do país. Como não tinha net, não vi e os prazos passaram. Toca a chorar como uma desesperada outra vez.

Outubro. Fartinha daquele trabalho. Procuro por todo o lado na minha área. Não encontro, claro. Logo no início do mês dizem-me que não me vão renovar o contrato e que só trabalho até ao final do mês. Ia-me dando uma coisinha má. Não gostava de trabalhar lá mas ficar sem emprego era pior. Comecei a mexer-me a sério e arranjei um estágio como professora suplente. Só precisava de passar no estágio para poder ser professora (uma vez que já tinha os diplomas necessários). Avisei que sairia mais cedo do que o previsto porque tinha arranjado na minha área. Passei no estagio. Entretanto foram férias escolares e só me restava esperar.

Novembro. Início das aulas novamente. Toda contente espero que me telefonem na segunda e nada. Até me levantei às 6h da manhã para ter tempo de me preparar e chegar a tempo à escola. Nadinha de nada. Terça igual. Telefono e dizem-me que tenho de esperar. Que nem sempre têm substituições. Percebi que não podia contar com eles e comecei a procurar por outros lados. Entrego currículos em tudo que é escolas privadas no centro de Paris. Meio do mês de novembro e sem trabalhar. Casa para pagar, alimentação. Muita pressão da mamã e da irmã, que tenho de procurar mais, que não posso querer trabalhar só na minha área, blablabla. Choro até de choro. A meio do mês arranjo trabalho como babysitter. Vou buscar uma menina à escola e aguardo em casa dela até a mãe chegar. Começo a ficar um pouco mais contente. O mês já não ia passar em branco. Ponho anúncio na net para explicações de português. Final do mês ligam para explicações de português e de uma escola em Paris. Entrada imediata. Cinco meninos para explicações. Uma vez por semana na escola. Fico contente. Finalmente na área.

Dezembro. Começo na tal escola. Gosto. Apesar de ser muito cansativo. Trabalhar noutra língua também não é fácil. Arranjo mais uma pessoa para explicações de português e desta vez a ganhar mais. Ganho um pouco mais mas nem chega ao ordenado mínimo. Pergunto-me se vale a pena o esforço. Choro. Ainda não tenho amigos. e pelo que vejo não vou ter. Fico ansiosa por ir a Portugal no Natal. Chego a Portugal e é a alegria. Toda a gente me fala de lugares que procuram professores de línguas (querem-me ver cá?). Pergunto-me também o que vou fazer para as franças. As duas semanas passaram a correr. Mas verdadeiramente a correr. nem tive tempo de estar com toda a gente.

Janeiro 2015. Hora da despedida. Choro mais uma vez. Não quero ir. Só tenho lá o namorado e não sei se é motivo suficiente para ir. ainda por cima a viagem é de carro, o que dá tempo para pensar em tudo. E chorar, chorar. Não gosto dos tios.

Agora já estou na minha casinha. Vejo que o frigorífico está vazio mas a conta ainda não está recheada. Primeiro a senhoria. Hoje o pequeno chega. Vamos ver. Ele não sabe desta minha sensação. De não gostar de estar cá. De olhar à volta e senti-me uma desconhecida. (bah, sabe que não gosto disto, mas não sabe que é desta maneira tão profunda)

E pronto, gostava de ter escrito posts durante as férias de natal mas nem tempo tive de me pôr em frente ao computador. De qualquer das maneiras, correu tudo muito bem. Como todos os anos!

Não, este ano não vou passar o mesmo que no ano passado. Isto vai dar uma volta....

19 dezembro, 2014

RESUMO DOS ÚLTIMOS DIAS

Ora, não tenho tido muito tempo para vir para o computador.
Ou estou com o namorado, ou no trabalho, ou a trabalhar em casa, ou nem sei. mas andei numa correria esta semana!!!

Esta semana fizemos a troca de prendas com o A.
Eu dei-lhe uma camisola azul toda fofinha da Benetton. Era um pouco pequena e fui trocar no dia seguinte. Não é por nada mas fica-lhe muito bem. É mais o azul que se sobressai bem nele. Já chega de pretos e cinzentos.
Ele deu-me um vestido da Desigual. Não é uma marca que aprecie. Muita fantochada, muitas cores juntas. Mas como foi ele que deu, eu aceito com todo o gosto e vou guardar para a noite de Natal. Visto que sou uma pessoa pequena com uma altura razoável para uma portuguesa mas não muito alta, o vestido assenta-me de uma maneira estranha. mas meto uns tacões e já pareço outra. Vai é obrigar-me a usá-lo sempre com tacões.
Fizemos trocas de chocolate também. Mas diga-se de passagem que ele comeu mais do chocolate que me deu do que eu. O Ursinho.

Ontem foi jantar de Natal. Estava para ir mais gente mas afinal só fomos 5. Os colegas de casa dele, eu e o rapaz que convidou para o jantar. E diga-se (mais uma vez de passagem) que foi a primeira vez que tive um jantar de Natal tão tristinho. Sem música. Sem brindes. Bah, ainda me ri um bocado com as piadas do petit. E do namorado também, bah, que ele é um engraçado.
Menu de Natal:
Lasanha feita pelo A. (estava boa mas se ainda estivesse quentinha estaria melhor)
Aletria (feita por mim). Acho que o pessoal até gostou.
Bolachinhas de Natal em forma de bonecos (feita pela alemã)
Bolo típico de Baviera (feito também pela alemã) e estava super bom.


Na escola passa-se tudo bem. Ainda não tenho o domínio do grupo mas este mês foi muito agitado por causa do Natal e de eventos que tivemos fora da escola que acho que em janeiro as coisas vão correr melhor. (espero bem)
Na terça foi a festa de Natal dos pequeninos e os pais foram assistir. Tive a oportunidade de falar com alguns e gostei muito. São pessoas muito simples, muito simpáticas. Alguns fizeram-me algumas perguntas sobre mim. E são de uma classe bem posicionada. Só gente chique.

Quanto á R. que vou buscar à escola, só fui terça nesta semana. Isto assim não rende. Ficou doente e pronto. Em princípio amanhã vou encontrar-me com ela para lhe dar o meu presente de Natal. Parece que também tem algo para mim.

Ontem (quinta) e hoje não trabalhei mas andei de um lado para o outro que foi uma coisa louca. Comprar presentes de Natal, rendez-vous, e mais não-sei-o-quê.... Oh la la! Mas c'est bon. Já tá tudo comprado e agora estou no quentinho da minha casa, como eu tanto gosto. 

O meu pequeno vai hoje para o seu país e eu não vejo a hora de ir para o meu também.

Amanhã tenho explicações de português e é tudo para o mês de dezembro. Tenho também uma prendinha para os meninos.

Domingo às 5h da manhã arranco para Portugal. Oh God, mesmo à emigrante.

03 dezembro, 2014

EU NÃO SOU DAQUELAS PESSOAS QUE SALTA AS PORTAS DO METRO PARA NÃO TER DE PAGAR

Mas se não houver portas, é claro que eu não pago.

E tenho tanto de contar esta.
Hoje fui para lá um bocado de "onde o Judas perdeu as botas". Fui dar explicações de Português pela 1ª vez a uma senhora/menina adulta. No final da aula ela levou-me à estação do comboio e, já sozinha, pensei: compro bilhete... não compro bilhete.
Visto que não tinha portas para entrar para o comboio, decidi não comprar bilhete. Eu tenho passe que abrange as zonas 3 e 4 mas tendo em conta a longinquidade do lugar onde eu estava (zona 5) o passe não dava. Estava na sala de espera e andavam por lá aqueles gajos que são chamados de seguranças com cassetetes e tudo. E aí eu pensei: Onde é que me vim meter. Nota-se que é uma zona tranquila, nota-se.
Enquanto esperava penso (eu penso muito): Não vou pagar bilhete mas estes seguranças olham para mim e vêm esta carinha tão fofinha que nunca vão pensar que eu viajo sem pagar. Olha a sorte de ter uma cara de boa menina.
O comboio chega e eu entro. Diga-se de passagem que estava um frio do caraças.
Três ou quatro estações depois (precisamente uma antes de entrar na zona 4) vejo os tais gajos (leia-se gajos com sotaque de mitra) a subiram muito lentamente ao andar de cima do comboio. Típico nos seus trabalhos. Um deles pára ao meu lado e olha para mim. Fiquei quente por dentro. "Merda. Já foste, Dxani. Vou-lhe mostrar o meu passe e se descobrir que não é desta zona, vou-me render imediatamente. Não vale a pena insistir que tenho razão, ai e tal que não sabia, quando isso não é verdade. Pago e pronto".
"Bonsoir Madame"
"Bonsoir" olho para ele como se não estivesse a perceber nada.
Ele fica uns segundos a olhar para mim com um riso cínico. E eu continuo a olhar para ele a fingir que não estou a perceber nada. E por alguns segundos não percebi mesmo porque fiquei à espera que ele me pedisse o bilhete e ainda não o tinha feito. Desvia o olhar para os meus pés. Voilà! Dxani que é Dxani mete os pés em cima do banco. Sim, com a minha idade já tenho problemas nos joelhos e fico melhor se eles estiverem esticados.
"Ah, peço desculpa." Fiquei super aliviada. Afinal não querem saber nada do meu bilhete.
"Sabe que ter os pés em cima do banco dá uma multa de 45€"
"Desculpe" e rio-me como uma menina bonita
"O seu bilhete por favor"
"Não acredito" penso. E fico vermelho como tudo
Pego no meu passe e dou-lho. Penso já em dizer-lhe que entrei na paragem X, que é zona 4, no caso de ele me perguntar. (Apercebi-me depois que ainda não tínhamos chegado lá. Olha a barracada que ia dar).
Ele olha para o passe, de um lado e do outro, olha bem para a minha fotografia e devolve-mo.
"Desta vez passa, mas para a próxima paga a multa por ter os pés em cima do banco" E lá foi.
Não fico completamente aliviada porque ainda era possível que voltasse atrás para saber que zonas o meu passe abrangia. mas não voltou e quando entrei na zona 4 fiquei mais descansada.
E sim, serviu para o susto. Queres ver que ia ganhar 15€ pelas explicações e gastar 45€ em multa. Mais valia ficar em casa. Para a próxima compro o bilhete, Ai compro, compro.
E não, ninguém paga multa por ter os pés em cima do banco. O senhor segurança é que ficou mal, digamos assim, por eu lhe ter espetado com o passe. E sim, tenho a certeza que ele viu que eu não passei o passe na estação. Porque, de entre todos os passageiros que estavam na mesma carruagem que eu, só me perguntou a mim. Olha que simpático. Ou queres ver que gostou do meu ar intelectual com os óculos.

E pronto. Cheguei a casa às 22h. Tudo isto porque quem precisa tem de trabalhar (frase da mamã)

01 dezembro, 2014

TÃO LONGE E TÃO PERTO

E faz hoje um ano que tudo começou (ou ontem. Foi um bocado a passagem de um dia para o outro).
E é a 1ª vez que o festejo. E é a 1ª vez que me acontece em condições normais. Ou seja, um namoro normal. Sim, é a 1ª vez que tenho um namoro normal. Que me sinta a namorada de alguém. Hmmm e é tão bonito sentir isto.

E hoje foi o meu 1º dia como educadora. O 1º dia da minha vida como educadora. Com uma sala para mim, onde sou a titular. Bom, a a educadora dos outros dias esteve presente na sala mas não interferiu e fui eu que geri (embora tirasse sempre algumas dúvidas de vez em quando). Para a semana ela não vai estar lá. Vai ser um pouco mais excitante. E cansativo também. Nossa, os meninos são uns queridos mas fazem um baruuuuulho. Tenho de arranjar uma estratégia qualquer para acalmar a coisa.

Hoje fui buscar a pequena à escola. Como de costume. Disse-me pelo caminho que a pessoa que se ocupa das crianças depois das aulas deu a todos um castigo: Escrever 25 vezes algo como "não devo gritar na sala"
Chegamos a casa e nunca mais me lembrei desse trabalho porque não estava escrito no caderno dos deveres. A mãe dela chegou e eu lembrei-me disso. Em vez de estar calada, abro a boquinha e disse-me que nos tínhamos esquecido de fazer esse trabalho. A mãe não ficou nada contente. Que era tarde para ela fazer isso, Que ia demorar tempo. Que ela tinha de se deitar à mesma hora de sempre. Blablabla.
Fiquei pior que estragada. Foi culpa minha sim. Mas em minha defesa digo que aquela auxiliar não tem o direito de marcar trabalhos de casa. E tenho a certeza que amanhã nem vai verificar. E, mesmo que verifique, não acontece nada a ninguém por não ter feito. Ainda por cima, por alguém ter gritado, levou tudo com o mesmo castigo. Tou para ver amanhã se a pequena me diz que ela perguntou por isso.

Bom, para terminar o post com algo bonito, ontem presenteei o meu pequeno com um postal (que ele não ligou nenhuma) e um biscoitinho em forma de coração que dizia "Príncipe". Vi isso na feira de Natal e achei super fofinho. Ele adorou. Mas disse que não ia comer porque é intragável. Eu não conheço o sabor mas ele diz que sim. "O coração é para comer?" pergunta-me ele. E responde logo a seguir "Nãaaao"





21 novembro, 2014

TRABALHINHO PRECISA-SE (o título debaixo não é parecido com este?)

Ando nuns nervosos miudinhos....!
Ora choro que nem uma perdida. E aí cuidado, porque posso chorar em qualquer lugar, no interessando onde estou e quem está. No metro, por exemplo.
Penso em como está a minha vida neste momento e que não era nada disto que eu pensa viver com esta idade. Desespero. E penso também que não mereço isto.

Ora ponho umas musiquinhas que até gosto e esqueço os problemas.

O Demi esreve cá esta semana. Foi bom porqye relembramos os vellhis tempos, rimo-nos, falamos com Stas e Joana no skype, visitei Paris com ele. Mas depois parava um pouco para pensar na minha vida. Só passeei. Procurar trabalho que é preciso, nada. E senti que foi como se a minha vida parasse nessa semana. E isso não pode ser. Porque tenho uma renda para pagar e quase dinheiro nenhum a entrar.

No último dia dele eu devia tê-lo acompanhado mais tempo. Tinha voo às 21h e foi para o aeroporto às 11h porque eu precisava de fazer os meus deveres do dia que era deixar CVs. Coitado. Mas coitada de mim também que não tenho trabalho. E se o menino soubesse falar francês podia ter passado mais tempo em Paris. Mas é pouco desenrascado.
Tenho tido umas respostas de trabalho. Mas ainda nada fixo. E mesmo que seja, Não dá para viver aqui com essa amostra de salário. (Mesmo assim é melhor que nada)

Na terça fui ao centro de emprego. O Demi foi comigo e levou com 1h30m de seca. (Lá está, o problema do desenrasque). Quando já nos vínhamos embora parei na entrada, onde estava o meu guarda chuva, para organizar os meus papeis numa mesinha que havia lá. Estava uma senhora a fazer o mesmo. Entretanto ela vai-se embora e pega no meu querido guarda chuva. Olha a lata. "Ei, onde é que você vai?" que em francês saiu assim: Eh, vous allez où?
Ela pousa simplesmente o guarda chuva e continua o seu sagrado caminho. "Vou êtes folle?" Mas ela nem respondeu. Preta do caraças*. Depois saí quase atrás dela e só tinha vontade de lhe dar com o guarda chuva na cabeça.
Vai uma pessoa ao centro de emprego para conseguir um trabalho e ganhar algum dinheiro e ainda se arrisca a ficar sem guarda chuva e ter de comprar outro quando o dinheiro não é muito.

À tarde vamos em direção a um museu quando somos parados por dois rapazes que nos pedem para fazer uma gravação para um trabalho para a universidade. Ui, nah, nah, nah, nah. Esquece. Não, não. 
"Ah, não custa nada, e tal. Só o nosso professor é que vai ver."
"Sim, sim. e a turma toda."
"Sim"
"Pois."
"Mas não é nada de especial. Não importa o conteúdo. É só para mostrar como trabalhamos a imagem, blablabla"
"Ok, e é para dizer o quê"
"Simples. Só para dizer o que te fará mais prazer neste Natal."
"Ui, ainda por cima nem sei responder a isso."
Mas depois lá me lembrei que um trabalho vinha mesmo a calhar. Que vergonha. Ao início ainda lhe tinha pedido para depois me mostrar o vídeo, mas tá quieta, com os nervos fui-me logo embora. Quando penso naquele microfone a olhar para mim...






* não tenho nada contra as pretas. Mas nada mesmo. Até tenho um carinho especial pelOs pretOs. A expressão foi só um desabafo. Podia ter sido "loira do caraças.

14 novembro, 2014

TRABALHO PROCURA-SE

A crise voltou.
Tou desesparada e sem motivação nenhuma para procurar emprego. Só me apetece ficar em casa. A rua enerva-me. Olhar para as pessoas enerva-me.
E sim, já me esforcei na procura de emprego. Mas cada vez que vem uma resposta negativa caio um bocadinho mais. Depois olho para trás e penso na minha vida. Era aqui que me via? Era aqui que queria estar? Não. Sem pensar duas vezes. E estou por motivos que não sei se valem a pena. 
Oh, a vontade que tenho de me ir embora. Mas mesmo. e o que me faz ficar é saber que em casa dos pais é para deprimir. Experiência própria.

Mas. Há sempre um mas. Hoje recebi resposta positiva para um mini part-time. 2h15m por dia. Não é muito mas é alguma coisa. 

Liguei ao Miguel para desabafar um bocadinho. Disse-lhe que queria mudar de ares e se ele estava disponível no fim de semana. Disse-me que sim. Fui procurar boleias no Blablacar. Contactei alguns. Entretanto o namorado liga-me e fico um bocadinho melhor. Já não quero nada ir ter com o Miguel. Fica para a próxima.

05 julho, 2014

SIGHS AND TEARS

Entrar no blog quase todos os dias e não escrever nada desde há 3 semanas.... Não sei. Tanta coisa para dizer e ao mesmo tempo... niente.
Esta semana estive de mini férias com A. Veio fazer-me aquela visita que me prometeu fazer. Quatro noites, duas das quais em minha casa, com os pais, irmã, tios. Mais do que um amigo para mim mas um mero amigo para todos eles. 
Agora choro. Como quase todos os dias dos últimos dois meses. E tudo pela mesma razão. Faz-me tanta falta. Não consigo estar longe dele. Está sempre na minha cabeça. Tudo que faço é em função dele. Encontrar trabalho em qualquer coisa mas num único sítio. Tudo é ele. E ele é tudo para mim. 
E diz-me a experiência que ele poderia ser o meu homem (e eu sou uma esquisita).
E conhecendo-me, trazê-lo cá a casa foi um ato muito pensado. Nunca trouxe nenhum outro namorado, com mais ou menos tempo de namoro.
A vontade que tenho é de passar o dia todo a enviar-lhe mensagens, falar com ele, saber o que faz a todo o momento. Mas controlo esse possessividade (se é que posso chamar-lhe assim) e não o faço.

Já tenho saudades dele e só voltou ontem.
Saudades dos sábados e domingos inteiros que o passávamos juntos, desde manhã até voltar a dormir. Mesmo quando ele passava horas no PC a trabalhar. O simples facto de estar ali no mesmo espaço que ele era tão bom, tão reconfortante. E tinha tanta certeza que era ele.

E não é muito agradável não saber qual é o meu estado civil neste momento.

Tenho dificuldades em passar para o papel aquilo que sinto e por isso não sei o quão convincente estou a ser. Só espero vir ler este post daqui a uns anos e saber que era realmente isto que eu sentia (e talvez um pouco mais).




(vou ali responder-lhe ao WhatsApp)

09 junho, 2014

FIM DE SEMANA E ESTA VIDA

Ainda não disse aqui mas o mês de maio foi, desde que me conheço, o pior mês da minha vida. Para além de estar desempregada, não tinha respostas de lado nenhum, tinha um homem a mil e tal km (nem sei quantos são), dava explicações em casa (sinal de que não tenho trabalho) e passava os meus dias na fisioterapia. Só tinha tempo de pensar na minha vida quando me ia deitar e era aí que chorava. Mais para o final do mês terminei com ele. A minha vidinha miserável aqui mais a distância e muitas vezes a falta de conversa entre os dois foram os motivos.

Em contrapartida, este fim de semana foi dos mais felizes. Já estava a precisar. As 3 avinhadas reencontraram-se ao fim de anos (só as 3 juntas) e foi como se fosse ao final de uma semana. Tudo está igual. Agora percebo melhor aqueleas frases que dizem blabla amigos são aqueles que não se veem regularmente mas que quando isso acontece é como se estivessem sempre juntos. Uma coisa assim.
Ri-me Dei gargalhadas como já não me lembro de dar. Ri-me muito mesmo. Piadas atrás de piadas. Gente boa à minha volta. Feliz e sem telemóvel para falar com ele. Mas ainda bem. Assim, notou-se uma pontinha de ciúmes pela ausência (pelo menos pareceu-me)

Voilà 1% do fim de semana